A diferença entre atletas e “meros mortais”

 Assim como a forma do corpo, como foi abordado em “Entenda o seu biotipo” a capacidade atlética de cada indivíduo varia. Alguns são mais resistentes, outros mais velozes, aqueles que são mais fortes…

A predominância de determinado tipo de fibra muscular influencia no biotipo e também no desempenho do exercício e/ou  na modalidade esportiva que a pessoa pratica.

O que determina aptidão e desempenho físico?

Nossos músculos são compostos por dois tipos de fibras: Tipo I e Tipo II, que dá a capacidade desses músculos responderem, aprenderem e adaptar-se a movimentos que exijam simples ou elevada coordenação, pequenas ou grandes esforços e, ainda, manter a atividades por curtos ou longos períodos, de acordo com suas características específicas.

As fibras Tipo I são de contração lenta, têm pouca capacidade de produzir força mas é muito resistente à fadiga. Esse tipo de fibra utiliza para gerar energia predominantemente o oxigênio, do metabolismo aeróbico. São as mais apropriadas para o exercício aeróbio de longa duração, como corrida e ciclismo

As fibras Tipo II se contraem rapidamente, gerando explosão e força nos movimentos, porém fatigam cedo. Como energia de contração é usado glicose e fosfocreatina, fontes rápidas de energia, por isso essas fibras são utilizadas para exercícios que exijam explosão e força, em curta duração, como na musculação e corrida de 100m.

As fibras Tipo II ainda são subdivididas em IIA e IIB. São fibras intermediárias, com características oxidativas e glicolíticas. A IIA, é capaz de produzir força, velocidade mas também é resistente à fadiga. Utiliza energia aeróbia quanto anaeróbia. A IIB, também pode produzir força, tem velocidade de contração porém é a menos resistente à fadiga se comparados com todas as outras e o sistema energético predominante é a via glicolítica, isto é, anaeróbia.

Os dois tipos estão presentes em todos os músculos, no entanto, existe o predomínio de um tipo sobre o outro que depende do músculo e da genética

Adultos e crianças, de ambos os sexos, possuem 45% a 55% de fibras de contração lenta nos membros inferiores e superiores. Não há diferenças sexuais, porém a distribuição das fibras varia de indivíduo para indivíduo.

O principal fator que influencia nessa variação é a genética, porém o treinamento físico é capaz de modificar até certo ponto a predominância de cada tipo de fibra muscular.
Por exemplo, atletas que correm longas distâncias possuem predominantemente fibras de contração lenta (90% a 95% no músculo gastrocnêmio, popular panturrilha).

Já os velocistas (100m, 200m), possuem mais fibras de contração rápida e os atletas que competem em provas de meio-distância possuem percentuais aproximadamente iguais dos dois tipos de fibras.

O treinamento

A ênfase no treinamento anaeróbico (treinos de força, como a musculação) estimula a capacidade glicolítica, gerando maior força e potência muscular, porém se tornando menos resistente à fadiga. Por outro lado, o treinamento aeróbico é capaz de estimular a capacidade oxidativa desse tipo de fibra, promovendo o aumento do número de fibras capazes de resistir à fadiga, ou seja, as fibras II passam a ter característica do Tipo I.

Apesar de o treinamento físico promover considerável modificação nas fibras musculares, a genética é o principal fator determinante no tipo de fibra que cada pessoa possui.
Por isso que, os grandes mestres da Educação Física já diziam que quem nasceu lagartixa não será crocodilo, elucidando o fato de algumas pessoas treinarem, mas terem dificuldade para o ganho de massa muscular. No entanto, como treino e alimentação adequada, é possível se tornar uma “lagartixa” mais forte!

Na prática

Além do fator genético, fatores hormonais, neurais, nutricionais e ambientais também influenciam no desempenho de cada um. É importante ter a consciência de que cada corpo é único e responde diferentemente ao treinamento físico.

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