Dieta oriental x ocidental: conheça uma nova perspectiva

Dieta oriental x ocidental: conheça uma nova perspectiva

Antes da ciência poder explicar o que é nutricionalmente bom ou ruim para o corpo, países do oriente como o Japão e China desenvolveram uma maneira de olhar a natureza em busca de se manter saudável e reequilibrar o corpo.

O Japão tem uma cultura singular. Um alfabeto único, um idioma que não se fala em outro lugar, conceitos e padrões muito característicos. E em relação à comida, não poderia ser diferente. A escolha dos alimentos, o modo de preparo, a forma de comer e principalmente, o sentindo da alimentação para os japoneses é o que a torna diferente da maioria dos conceitos ocidentais.  

A dieta japonesa é ampla, enquanto a dieta ocidental é detalhada

Antes da ciência poder explicar o que é nutricionalmente bom ou ruim para o corpo, países do oriente como o Japão e China desenvolveram uma maneira de olhar a natureza em busca de se manter saudável e reequilibrar o corpo.

Nessa busca, descobriram como aclimatar o corpo alimentando-se de acordo com as estações do ano, pois a ideia é que a terra oferece  exatamente o que é necessário comer em determinados períodos.

Isso fica muito claro em um 定食 teishoku (refeições fixas) que, embora a configuração principal da refeição seja a mesma ao longo do ano, com algum tipo de proteína, arroz, sopa, 漬物 tsukemono (picles) e vegetais, estes são sempre diferentes conforme as estações mudam.

Outros atributos relacionados são o quão rápida ou lenta é a digestão, se isso nos faz sentir elevados ou relaxados, dispostos ou indispostos. Em outras palavras, os orientais procuram entender como se sentem ao comer determinados alimentos. Isso é interessante para quem possui  restrições alimentares não diagnosticadas e passam “uma vida” sofrendo sem saber o porquê, afinal não são todos os tipos de alimentos – mesmo saudáveis –  que fazem bem para todo mundo. 

Os ocidentais, em contrapartida, preferem falar em detalhes sobre a composição nutricional de alimentos, usando termos como “proteínas”, “carboidratos”, “calorias”, “vitaminas”, “minerais”, “fibras” para falar sobre a melhor forma de comer.

As vantagens de pensar dessa maneira é que se pode ser muito específico sobre como fazer uma mudança no corpo, como uma dieta para emagrecimento ou para ganho de massa muscular, por exemplo, mas a grande desvantagem é que quase nada disso é intuitivo. Não há a preocupação em observar como o organismo reage aos alimentos, sendo que existem pessoas que possuem algum tipo de restrição e não sabem.

Portanto, a maneira lógica de ver as dietas cientificamente, ainda sim, é a melhor forma  para quem precisa de resultados específicos por meio da alimentação. Um atleta que precisa de desempenho, realmente, não deve se basear apenas em uma dieta intuitiva.A dieta japonesa inclui uma variedade de tudo.

Seguindo o exemplo do teishoku japonês, pode-se notar que os japoneses comem uma variedade de alimentos. Em vez de ter grandes quantidades de dois, três itens alimentares, como bife com batatas e salada, no Ocidente, os nipônicos comem quantidades menores, porem mais diversificadas , como peixe, sopa, arroz, tsukemono, vegetais verdes, raízes e salada.

Na cultura ocidental as pessoas geralmente tentam emagrecer cortando um tipo de grupo de alimentos ou destacando outro, seja limitando carboidratos e açúcar, ou aumentando proteínas. Mas os japoneses e outras culturas orientais optam por uma variedade de tudo o que os ajuda a manter o equilíbrio geral da saúde, pois quando se come um pouco de tudo, está fornecendo ao corpo maior variedade nutricional e sabor para satisfazer o paladar.  

A dieta japonesa combina alimentos para otimizar a digestão

Os japoneses são muito conscientes em combinar alimentos de uma forma que otimize a digestão. Para acompanhar alimentos oleosos ou fritos no Japão, serve-se rabanete ralado ou repolho que ajudam o corpo a digerir alimentos gordurosos.

Outros alimentos fermentados, como tsukemono  e 味噌汁 misoshiru (sopa de misso), contêm bactérias saudáveis ​​que ajudam o corpo a digerir os alimentos. Portanto, mesmo que seja ingerido algo “pesado”, como produtos de origem animal ou de farinhas, as bactérias dos alimentos fermentados contribuem para uma melhor digestão.

Uma sugestão: ao comer alimentos fritos, cremosos ou proteínas animais difíceis de digerir, experimente adicionar itens que facilitem a digestão. Por exemplo, cogumelos, rabanetes, folhas verdes e frutas cítricas.

A hidratação

A forma mais comum para se hidratar é beber mais água. No entanto, muitas pessoas reportam que não conseguem tomar seus oito copos de água recomendados por dia. Mas em vez de pensar em hidratação apenas bebendo mais água, por que não verificar se as refeições também?

No ocidente, ao almoçar um sanduíche light com café, o pão em si está seco, porque a água já saiu no processo de assar, os frios (queijo, presunto) não têm água e o café desidrata. Entretanto, em um teishoku japonês , o arroz foi cozido em água, os próprios vegetais têm alto teor de água e as refeições tradicionais incluem sopas. Então, em vez de buscar hidratar o corpo bebendo muita água, é interessante fazer refeições mais hidratantes.

Os japoneses não bebem muita água durante as refeições

Pode-se notar que os japoneses não bebem muita água enquanto comem ao ir em um restaurante japonês, onde geralmente é recebida junto com a refeição uma pequena xícara com água ou chá mas nos Estados Unidos, Brasil por exemplo, os copos são bem grandes, não?

Nas filosofias de saúde orientais, acredita-se que a água pode “apagar seu fogo digestivo”. Esse é o código de que a água pode dificultar a digestão dos alimentos. Muitos estudos, inclusive do Ocidente também, recomendam não beber muita água juntamente com as refeições pois isso atrapalha o processo digestivo.

Então, se você tem dificuldade para beber água, tente adicionar mais água à refeição, optando por alimentos que contenham alto teor de água, como as sopas e vegetais. E claro, beber água entre as refeições ao longo do dia é fundamental para a boa saúde.

Em resumo, existem alguns aspectos importantes na forma dos japonese se alimentarem que contribui na saúde e na digestão. E vão além de um olhar científico  para os alimentos. As filosofias orientais ajudam a entender como reequilibrar nosso corpo tanto da perspectiva da mente quanto física, usando os sentidos, e isso pode ajudar a ter mais confiança nas escolhas diárias dos alimentos. 

Fundadora de YUMI SAITO SPORTS LIFE & CONSULTORIA, é professora de Educação física, especializada em educação especial. Tem 11 anos de experiência em treinamento de grupos especiais e educação física escolar.

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