Volta às aulas em Tóquio (quase) traz de volta a normalidade às escolas

Volta às aulas em Tóquio (quase) traz de volta a normalidade às escolas

Com o Japão reiniciando as aulas, as coisas voltam (quase) ao normal nas escolas.

Com a volta às aulas no Japão, são os pais que tem lição de casa para fazer, e precisam fazer as tarefas todos os dias, de manhã cedo.
Eles devem medir a temperatura de seus filhos todas as manhãs e inserir os resultados em um relatório de saúde, que é levado para a escola e verificado pelos professores na chegada.

O monitoramento é apenas uma das novas realidades das escolas do Japão, que agora estão de volta à ativa pela primeira vez desde março. É também uma amostra de como a educação em todo o mundo está se refazendo na era da pandemia de coronavírus.

Volta às aulas pelo mundo x volta às aulas no Japão

As escolas foram fechadas em 146 países em todo o mundo, segundo a UNESCO, afetando pelo menos dois terços dos estudantes em todo o mundo. O Japão está entre um pequeno número de países que tentam encontrar uma maneira de reiniciar a educação – sob restrições e com planos de emergência para fechar novamente se o vírus encontrar um ponto de apoio.
Na Hoyonomori Gakuen, uma escola de Shinagawa, em Tóquio, as novas regras, incluindo verificações de temperatura, são estabelecidas em um plano de 28 pontos elaborado pela escola para minimizar os riscos.
As crianças freqüentam dias alternados; portanto, metade das mesas em todas as salas de aula podem ser deixadas vazias e, por enquanto, elas também estão voltando para casa mais cedo. Professores, alunos e demais funcionários, todos usam máscaras.

Cuidados com o coronavírus nas escolas

Os alunos se alinham – prestando atenção às marcas no chão para indicar um distanciamento adequado – para lavar as mãos antes mesmo do início das aulas, e continuam a fazê-lo durante toda a manhã.

O almoço é servido em suas mesas, mas eles devem comer voltados para a frente, em silêncio. É mais difícil fazer novos amigos quando todos têm que manter distância, diz Naho Shinagawa, e a escola seria muito mais divertida se ela pudesse brincar ao ar livre durante o recreio. Mas a estudante de 8 anos está feliz em voltar, aprendendo e brincando com as amigas novamente.

O que dizem as crianças

“Quando vou para a escola, sinto um pouco de medo caso passe por alguém que está infectado, mas quando estou aqui, me sinto segura”, disse ela. “Estou tão feliz por poder ter minhas aulas junto com todos.”

A hora do almoço silenciosa é um ajuste difícil para Yukihisa Ishikawa, um garoto de 11 anos. “Gosto de aula, e entre as aulas, embora tenhamos que manter distância, gosto de conversar com meus amigos”, disse ele. “Mas boa parte do almoço é conversando com amigos enquanto comem, e se não podemos fazer isso, é decepcionante.” Ishikawa e a colega da sexta série Miki Akimoto dizem que é mais fácil aprender na escola do que em casa, até porque eles têm a sensação de que “estamos todos juntos”. “Em casa, meu irmão e irmã mais novos terminavam os deveres mais cedo do que eu, e era difícil me concentrar”, disse Akimoto. Como o pai dela também costuma trabalhar em casa, o ambiente costuma estar bastante lotado, acrescentou.

Na escola, as duas crianças disseram que era difícil lembrar de manter distância dos amigos o tempo todo. “Na verdade, quando meus amigos se aproximam, começo a tomar consciência da distância social”, disse Ishikawa. “Então eu começo a conversar, e é fácil esquecer.”

Plano de Contingência

Depois de fechar as escolas no início de março e declarar estado de emergência em abril, o Japão conseguiu retardar a disseminação do novo coronavírus, com apenas algumas dezenas de novos casos registrados todos os dias. Seu número oficial de mortos é de pouco mais de 900, uma fração das taxas de mortalidade observadas nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. Mas o diretor da escola, Jun Ninomiya, diz que ainda está checando os dados do coronavírus do governo, em detalhes, todos os dias, e elaborou planos de contingência caso a escola precise fechar novamente.


Relembrando – Quase 99% das escolas públicas de Ensino Fundamental do Japão foram fechadas


O fim do estado de emergência viu um aumento pequeno, mas significativo, de casos, especialmente em Tóquio e na cidade de Kitakyushu, na província de Fukuoka, na ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão. Pelo menos 13 crianças em Kitakyushu foram encontradas com o coronavírus, incluindo cinco da mesma classe, embora nem todas apresentassem sintomas. Cinco escolas da cidade foram forçadas a fechar novamente, logo após a volta às aulas, apenas no mês passado. Alguns pais teriam retirado crianças de escolas próximas.

Ninomiya disse que esperava que alguns pais relutassem em mandar seus filhos de volta para a escola”, mas até agora esses medos não eram justificados. “Os pais estavam esperando para enviar seus filhos de volta à escola”, disse ele, “então este é o momento certo”.

“Os pais estavam esperando para enviar seus filhos de volta à escola, então este é o momento certo”.

Jun Ninomiya, diretor do Hoyonomori Gakuen

As crianças não foram tão afetadas quanto os adultos e os mais velhos pelo coronavírus. Isso não significa que eles estejam totalmente seguros, nem que as escolas não possam se tornar vetores da transmissão do vírus, dizem os especialistas. Crianças na Ásia, Estados Unidos e Europa também foram diagnosticadas com uma “síndrome inflamatória multissistêmica” semelhante à doença de Kawasaki, que se acredita estar ligada ao coronavírus.

Coréia do Sul com dificuldades na volta às aulas

Nas proximidades, a Coréia do Sul teve que adiar seus planos de volta às aulas cinco vezes, finalmente iniciando uma reabertura em fases no final de maio, 10 semanas após a data de início original. Mesmo assim, novos aglomerados de infecções surgiram dentro e ao redor de Seul. Alguns alunos foram infectados e centenas de escolas foram forçadas a adiar a reabertura ou a fechar suas portas apenas alguns dias após a reabertura.

Sem aulas de canto

No Japão, o Ministério da Educação diz que o canto ainda não deve ser permitido nas aulas de música, porque isso pode incentivar a propagação de partículas virais, enquanto a educação física deve ser projetada para evitar o contato entre crianças.


Relembrando – Escolas dizem que não é necessário o uso de máscaras durante as aulas de educação física


O desconforto das máscaras e a tristeza do distanciamento social

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“Coronavirus girl” by https://www.vperemen.com is licensed under CC BY 2.0

A escola Hoyonomori Gakuen removeu muitas portas que dividiam a escola e mantém as janelas abertas para maximizar a ventilação, além de manter o ar condicionado ligado. Ainda assim pode ser desconfortável usar uma máscara facial. “A máscara fica quente e muitas vezes sou tentado a removê-la”, disse Shinagawa, aluno da terceira série, que também não é um grande fã de distanciamento social. “É triste não ter um amigo sentado ao meu lado na escola.”

Takara Stefens é Gaúcho de nascimento, alma e coração, cidadão do mundo por opção. É pai, professor, escritor, vegano desde 2020 e amante da vida e de tudo que é belo.

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