Vida, o preconceito e seus ciclos

A vida dentro das redes sociais é cheia de surpresas e, das mais diversas experiências, algumas se destacam

Vida, o preconceito e seus ciclos
Caipira News

Vira e mexe eu procuro por publicações antigas em minha página, fotos, vídeos e até textos. Afinal, um dos propósitos desse espaço é relatar, através de meu ponto de vista e experiência empírica, minha vida no Japão. 

Inclusive esse é o grande motivo pelo qual criei a página e comecei a trabalhar como produtor de conteúdo. 

Alguns textos que escrevi tiveram uma certa repercussão e simplesmente não perderam a data de validade. Acho que vale a pena resgatar esse post que publiquei em 31 de julho de 2019. 

Lembro que escrevi usando o smartphone e foi como uma flecha, algo do tipo que você atira e não volta mais. 

A vida e suas lições

Recordo que estava deitado e pronto para dormir, mas não iria conseguir dormir tranquilo até que aquele sentimento, que tomava conta do meu corpo e mente, tomasse forma de letras e frases, até que aquilo pudesse ser expresso e devidamente respondido. 

Outro motivo interessante para relembrar esse episódio é que houve alguns pequenos eventos subsequentes que não foram relatados à posteriori, colocando um ponto final nisso tudo. 

Posso dizer que ao lançar luz sobre esse assunto nesse honroso espaço, aprendo e cresço como pessoa, melhorei minhas habilidades em lidar com esse tema e fecho mais esse capítulo da minha história como produtor de conteúdo.

Vamos entender o caso 

Não me lembro o motivo, mas uma pessoa extremamente rude e com um perfil falso (típico de covardes) comentou agressivamente em minha página em alguma postagem. 

Naquela época eu ainda dava chances para esse tipo de gente, de ter uma troca de informações decente, de poder discutir de forma mais matreira. Mas o sujeito infante estava irredutível.

Aprendi uma importante lição de nunca discutir com idiotas, pois o objetivo deles é puxar você até o nível baixo em que eles habitam e nos vencer pela longeva experiência de ser um completo idiota, pois nesse quesito, são especialistas. 

Enfim, deixei pra lá e continuei minha vida. Algumas horas depois, me deparei com um texto escrito pelo infante, bem macarralho, bem inerente ao parvo elemento em forma de pessoa que faz peso por aqui. Esse é o texto, transcrito exatamente como foi publicado, incluindo os erros ortográficos e a total discordância gramatical:

“Caipira no Japão exatamente não perca seu tempo comigo, vá cuidar da sua filha lá rapaz afinal nem Filho tu prestou pra fazer direito né…se quiser aprender comigo dá um salve aí, tenho só 7 perfeitos, com 4 mulheres fmz?! (desde de quando de quando propaganda barata é informação) te orienta otario…”

Esse é o texto resposta da minha publicação:

“Se até Jesus o Filho de Deus, em seu martírio na estaca de tortura, suplicou ao Pai para que seus perseguidores fossem perdoados, o que dizer de mim, um simples mortal? Esse sujeito não apenas tentou, apenas tentou, ofender a mim e a minha filha, mas todos os pais e crianças especiais do mundo. Em sua ignorância imensurável, ele sequer pôde imaginar que criar um filho especial é uma missão divina que transforma vidas. Pobre alma. O que me preocupa é saber que ele não está sozinho nessa estupidez sem precedentes. Mas o amor de Deus e o amor de um pai para com seu filho sempre vencerá, sempre. É muito maior que qualquer egoísmo e preconceito. 

Pais especiais e filhos especiais, tenhamos orgulho de nossa missão e nunca e jamais retrocedamos! Agradeça por cada momento de sua vida pela presença de seus filhos, pois através deles, nós achegamos mais a Deus. Mais uma lição aprendida. Gratidão a você Laila, o grande amor da minha vida. Papai te ama e sempre estará ao seu lado. Você tem um longo e difícil caminho pela frente? Não tem problema, apenas me dê sua mão que o papai vai com você.”

Esse episódio me agraciou com a oportunidade de tocar em um assunto que até então não costumava trazer regularmente à tona em minhas publicações. 

As reações

Gerou centenas de mensagens de apoio e carinho por parte das pessoas e certamente motivou outros pais especiais pela internet afora. A mensagem havia sido passada e isso me trouxe paz de espírito. 

vida

Mas as bênçãos e surpresas não pararam por aí. É agora que eu finalizo esse capítulo com acontecimentos inéditos, dos quais mencionei há pouco. 

Três, dos sete filhos citados pelo sujeito, entraram em contato comigo por mensagens de texto e áudio. Dois deles estavam no Japão e um no Brasil, se eu não me engano, a filha mais velha. 

Tive a oportunidade de ouvir suas histórias, de filhos abandonados e desamparados por um pai ausente. 

Um deles se identificou como sendo um rapaz gay, não que isso fosse uma condição sine qua non, mas talvez pelo fato de também se considerar uma pessoa especial, que não carece de uma cura e sim de aceitação, tentando demonstrar um certo grau de empatia. 

Todos pediram desculpas pelas declarações horríveis do sujeito e disseram estarem muito envergonhados. Disseram que gostariam de ter um pai como eu. Agradeci a todos e lhes desejei uma vida boa, apesar dos pesares.

Alguém disse: “Entender que a vida é feita de ciclos faz com que você fique em paz com tudo que chega e com tudo que vai.” O tempo vai se encarregar de mostrar isso. Apenas deixe acontecer.

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Ricardo Pozzuto

Ricardo Pozzuto, 43. Atuou em empresas no Brasil na área de engenharia de produção, foi ao Japão em busca de novos horizontes e lá está ha mais de 18 anos. Nunca estudou jornalismo mas adora escrever e contar tudo o que vive, sente e pensa sobre o Japão, Brasil e o mundo. É conhecido como Caipira no Japão, um cara que produz conteúdo para as pessoas que valorizam informação, crescimento pessoal de um ponto de vista nem sempre pragmático, mas se diverte muito fazendo isso. Gratidão sempre.

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