Ghosn pergunta por que os japoneses não vêm até o Líbano interrogá-lo

Ghosn disse em entrevista à TV local LBC que o Líbano “provou que protege seus cidadãos”

Ghosn pergunta por que os japoneses não vêm até o Líbano interrogá-lo

O ex-chefe da Renault-Nissan Carlos Ghosn disse em uma entrevista que os investigadores franceses estão vindo ao Líbano para interrogá-lo sobre alguns desafios legais na França, perguntando por que os japoneses não fazem a mesma coisa. Os comentários de Ghosn vieram duas semanas depois que um oficial do ministério da justiça libanês disse que uma equipe de investigadores franceses viria a Beirute em janeiro para participar do interrogatório do ex-executivo automotivo.

Ghosn, de nacionalidade libanesa, brasileira e francesa, saiu do Japão em uma fuga dramática que ganhou as manchetes no final de 2019, chegando ao Líbano no dia 30 de dezembro daquele ano. Além de seu julgamento no Japão, o empresário de 66 anos enfrenta uma série de desafios legais na França, incluindo evasão fiscal e suposta lavagem de dinheiro, fraude e uso indevido de ativos da empresa enquanto estava no comando da aliança Renault-Nissan.

Ghosn disse que há neutralidade no Líbano, onde vive desde que fugiu do Japão, acrescentando que as autoridades libanesas pediram às autoridades japonesas que enviassem as acusações contra ele, mas Tóquio não o fez. “O que isso significa?” perguntou Ghosn, insistindo que ele é inocente e foi vítima do sistema judicial japonês. “Agora os franceses têm acusações”, disse Ghosn. “Eles (franceses) estão vindo e vão me questionar. Os japoneses não estão fazendo isso. Eu considero todas as acusações falsas. Sou cidadão francês e o Estado francês não me defendeu”, completou Ghosn.

Pelo menos duas investigações relacionadas a Ghosn foram abertas na França. Uma focava em transações suspeitas entre a Renault e um distribuidor em Omã, bem como em pagamentos suspeitos para viagens e eventos privados pagos pela holding RNBV da Renault-Nissan, com sede na Holanda. Outra investigação focou na suspeita de uso indevido de fundos da empresa para uma festa para Ghosn em Versalhes. O inquérito francês visa determinar quem é o culpado por uma série de alegadas violações financeiras entre 2009 e 2020.