1000 Tsurus pelo fim da pandemia

1000 Tsurus pelo fim da pandemia

Iniciativa da comunidade nipo-brasileira reúne famílias em torno de antiga tradição japonesa para lidar com a pandemia

Uma campanha realizada na cidade brasileira de Curitiba está reunindo famílias num esforço coletivo para que cada uma produza 1000 tsurus de origami pelo fim da pandemia.

O tsuru, ou garça, é considerado a ave da sorte no Japão, além de um símbolo tradicional de longevidade. Diz-se que este animal sagrado para os japoneses vive por mil anos e é por isso que cada família fará 1000 origamis desta ave.

A iniciativa desta campanha é do clube Nikkei – Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira de Curitiba – que pretende reunir, assim que terminar a pandemia, todos os tsurus confeccionados pelos participantes.

Lançada em maio, a campanha reúne várias entidades da comunidade nipo-brasileira, diversos Departamentos do clube e várias famílias de Curitiba e de outras cidades, que já estão se dedicando diariamente à confecção desta quantidade simbólica dos origamis.

Os 1.000 tsurus de origami ligados por linhas ou cordões são conhecidos como senbazuru, ou semba tsuru, e são normalmente oferecidos no Japão como uma forma de encorajamento e oração para as pessoas doentes ou que foram afetadas por desastres naturais.

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Segundo a cultura japonesa, a pessoa que faz mil tsurus de origami tem seu desejo atendido. Esta crença foi amplamente popularizada por Sadako Sasaki, vítima da bomba atômica de Hiroshima, pois ela dobrou mil tsurus antes de morrer de leucemia aos 12 anos de idade. Sasaki é até hoje um símbolo das vítimas inocentes da Guerra Nuclear, e seu trabalho fez os senbazuru se converterem também na expressão de um desejo de paz.

Em tempos mais antigos, quando os samurais partiam para os combates suas famílias confeccionavam origamis de tsuru, mentalizando a sua volta. Existem inúmeros relatos de que, coincidentemente, quando a família completava mil tsurus o samurai voltava vitorioso.

Ainda segundo as tradições japonesas, mil tsurus de papel são frequentemente entregues a uma pessoa gravemente doente, com forma de expressar o desejo pela sua recuperação. Geralmente são confeccionados em conjunto por amigos, colegas de classe ou de trabalho.

A cada dobradura feita, a pessoa deposita nela toda fé e esperança no desejo a ser realizado. Com base neste princípio, a campanha pretende que a fé, a união e o esforço de muitas pessoas, construa uma corrente de pensamentos positivos para ajudar a recuperação dos afetados pelo novo coronavírus e o fim da pandemia.

O semba tsuru também é uma forma lúdica de unir a família durante a quarentena, pois crianças, adultos e idosos podem participar. Se você quiser fazer o origami de tsuru, pode assistir ao tutorial em que a influenciadora digital Larissa Oyama ensina a fazer a dobradura.

Jaqueline Kuriu é praticante de Kyudo, a arqueria tradicional japonesa, e estudante de japonês. Atualmente mora em Tóquio, mas nasceu em Curitiba, onde se formou em Educação Física pela UFPR. Trabalhou com dança e atividades culturais, e realizou palestras sobre arte, música, cultura e viagens.

Veja o perfil completo de Jaqueline Kuriu