Vitaminas: para que?

Vitaminas A, D, E e K, conheça mais sobre as funções, deficiência e excesso.

Vitaminas: para que?
Yumi Saito Consultoria

Você sabe qual a real importância nutricional das vitaminas? Elas são essenciais em diversos processos metabólicos, logo são fundamentais para o bom funcionamento do organismo.

As vitaminas são compostos orgânicos que não fornecem energia, isto é, não possuem calorias. Aquela história que a pessoa engordou depois de tomar tal vitamina não procede!(a não ser que na composição da suplemento tenha açúcar!). As necessidades diárias de vitaminas, geralmente, são de pequenas quantidades, porém a carência ou o excesso são determinantes para o desenvolvimentos de certas doenças.

Hoje falaremos sobre o grupo ADEK. As vitaminas A,D,E e K são vitaminas Lipossolúveis, ou seja, são solúveis apenas em solventes orgânicos, podem ser armazenadas na gordura corpórea e atingir níveis tóxicos. Essas vitaminas são absorvidas pelo organismo juntamente com a gordura da alimentação.  Assim como na digestão dos lipídeos, elas necessitam da bile para emulsionar e dos quilomícrons (moléculas grandes de lipoproteínas sintetizadas pelas células do intestino, formado em 85-95% de triglicerídeos de origem alimentar , pequena quantidade de colesterol livre, fosfolipídeos e 1-2% de proteínas) para o transporte via linfática para então atingir  a corrente sanguínea.

A Vitamina A é armazenada predominante no fígado, porém com pequenos depósitos nos rins e pulmões; já as Vitaminas D e E têm armazenamento no tecido adiposo e muscular e a Vitamina K não é armazenada, por isso é necessário seu fornecimento regularmente. No geral, têm sua excreção principalmente via fecal e urinária.

Vamos conhecer cada uma delas?

Vitamina A (Retinol)

A Vitamina A é um termo genérico para um grupo de compostos: Retinol (forma de armazenamento no fígado), retinaldeídeo (aldeído que auxilia na função de reprodução humana e proteção ocular) e ácido retinoico.

Ela é denominada Retinol por causa da sua função específica na retina do olho. Essa vitamina é estável ao calor, no entanto  é sensível à ação do oxigênio e luz , principalmente raios ultravioletas.

Além da prevenção de problemas relacionados à visão, a Vitamina A tem outras funções,como:

• Efeitos na síntese proteica e na diferenciação das células ósseas;

• Desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial;

• Essencial para o sistema imune: auxilia na manutenção da resistência a infecções;

• Parece ter envolvimento na síntese de hormônios esteroides ou papel na

diferenciação celular;

• A habilidade do olho para se adaptar às mudanças de luz;

• Atua na promoção da diferenciação normal de células epiteliais.

A deficiência de vitamina A é um dos maiores problemas de nutrição e saúde pública de diversos países, afetando milhões de indivíduos no mundo. A deficiência moderada resulta em dificuldade de adaptação ao escuro (cegueira noturna ou nictalpia), boca seca, dificuldade de digestão e absorção (trato gastrintestinal), bem como o aumento do risco de infecções bacterianas, virais ou de parasitas.

No caso de excesso, podem aparecer os seguintes sintomas: sonolência, vômitos, perda de apetite, fadiga, insuficiência hepática, hipercarotenodermia (solas dos pés e mãos e olhos ficam amarelados quando se come – excessivamente – alimentos como cenoura, abóbora, mamão …), queda de cabelos, erupções de pele, erosões no canto da boca, irritabilidade e visão dupla. Quando esse excesso de ingestão de Vitamina se estende por muito tempo, pode resultar em grave fragilidade óssea, espessamento dos ossos longos, dor óssea profunda e incapacidade de andar.

Onde encontrar Vitamina A?

Ela pode ser encontrada em fonte animal e vegetal. Em origem animal , se apresenta em forma de Retinol, que é oxidado em ácido retinoico dentro do organismo. As principais fontes são fígado, rins, manteiga, gema de ovo, leite integral, queijos, creme de leite e óleo de fígado de bacalhau.

Em origem vegetal: o betacaroteno (grupo dos carotenoides), que é proveniente de hortaliças e frutas amarelo-alaranjado-vermelho, por exemplo: cenoura, abóbora, frutas e hortaliças amarelas. Encontra-se também no abacate, vegetais de folhas verde-escuras, como mostarda, couve, agrião, almeirão, e em outras fontes como o óleo de dendê e óleo de buriti.

É válido ressaltar que os carotenoides são muito importantes na proteção contra o câncer devido a sua atividade antioxidante, que tem ação na desativação de radicais livres, os quais podem danificar as membranas celulares, bem como o material genético das células.

Vitamina D (Calciferol)

A vitamina D está diretamente relacionada ao metabolismo ósseo, na absorção dos minerais cálcio e fósforo no intestino e na manutenção de níveis adequados nos ossos. Além disso, há evidencias sobre a interação da vitamina D com o sistema imune, sendo que a deficiência desse composto pode estar ligada à doenças autoimunes, como Diabetes mellitus, esclerose múltipla, lúpus, artrite e doença inflamatória intestinal, por exemplo.

A vitamina D pode ser adquirida pré-formada pela ingestão de alimentos ou pela exposição ao Sol.

A deficiência de vitamina D em crianças causa o raquitismo – má formação óssea – , que tem como característica as pernas arqueadas , ossos e dentes frágeis, deficiência no crescimento e diminuição da imunidade. Já em adultos, ocorre a osteomalácia, que é a desmineralização da matriz orgânica do osso, aumentando o risco de fraturas, ossos sensíveis à pressão, dores e fraqueza muscular. Caso essa deficiência de vitamina D não seja tratada, pode evoluir para casos graves de osteoporose.

Porem o excesso de Vitamina D causa cefaleia, anorexia, sede, emagrecimento, fraqueza, constipação, náusea, vômitos, diarreia, calcificação óssea excessiva, calcificação de tecidos moles, como rins, artérias, pulmões, músculos e mucosa gástrica, e o aumento da excreção de cálcio e fósforo, podendo ocasionar a formação de pedras nos rins.

Onde encontrar vitamina D?

Poucos alimentos podem ser considerados fontes, porém podemos encontrar a

Vitamina D em alimentos do grupo do leite, queijo e iogurte, sendo o óleo de peixe

a mais significativa fonte. Contudo, o consumo destes é responsável por apenas

20% das necessidades corporais, pois a produção pela formação endógena à exposição aos raios Ultravioleta é a principal forma de obtenção de Vitamina D.

Vitamina E (Tocoferol)

A vitamina E tem como principal característica a ação antioxidante, protegendo as células dos danos de radicais livres, o que inibe a formação de células potencialmente cancerígenas. Também protege das modificações que resultam o processo aterosclerótico, que é o depósito de gordura nas paredes das artérias. Por isso , está associada com a diminuição do risco de doenças cardiovasculares.  

A ocorrência de deficiência ou excesso de vitamina E é muito rara, já que ela facilmente encontrada nos alimentos e suas necessidades diárias são facilmente atingidas também. Mas no caso de deficiência, são em pessoas incapazes de absorver adequadamente essa vitamina ou com anormalidades no transporte de lipídeos, levando à “síndrome neurológica da deficiência de Vitamina E”, que atinge principalmente as fibras da medula e a retina. Já quando são megadoses, isso pode interagir com a vitamina K, prolongando o tempo de coagulação sanguínea. No entanto, esses efeitos são reversíveis quando as altas doses são suspensas.

Onde encontrar vitamina E?

Pode-se encontrar maiores fontes de vitamina E na maioria dos óleos, gérmen de trigo, avelã, nozes, amendoim, castanhas e amêndoas. Em alimentos de origem animal como ovos, leite, manteiga e fígado, a vitamina E está em menores quantidades.

Vitamina K (Filoquinona)

A vitamina K é indispensável para a síntese de várias proteínas relacionadas à coagulação sanguínea, que ajuda nas cicatrizações e na prevenção de problemas hemorrágicos em recém-nascidos. Geralmente é prescrita por médicos antes de uma cirurgia, a fim de reduzir o risco de sangramento pós-operatório. Também , com supervisão médica, ela pode ser prescrita para o sangramento menstrual excessivo.

A vitamina K é resistente à cocção, oxigênio e umidade, mas é destruída pela radiação U.V. E é encontrada nas formas K1 (filoquinona), presente em plantas; K2 (menaquinona), sintetizada a partir da ação de bactérias intestinais; K3 (menadiona), composto sintético.

Como a K2 é produzida pelo intestino por bactérias, raramente há deficiência dessa vitamina em pessoas saudáveis, porém pode ocorrer quando há má absorção de lipídeos, alteração da flora intestinal por uso de antibióticos ou doenças hepáticas. Como consequência, pode aumentar os riscos de sangramentos.  No caso de excesso de vitamina K sintética,  produziu  anemia hemolítica (menor sobrevivência das hemácias maduras) em ratos e icterícia em lactentes.

Onde encontrar Vitamina K?

Essa vitamina é amplamente distribuída na natureza, porém em baixas concentrações. Vegetais de folhas verdes como: couve, espinafre, brócolis, repolho e folhas de nabo contem vitamina K. Mas também uma quantidade significante é formada pela flora bacteriana no intestino.

Como está o seu consumo das vitaminas A,D,E e K? Por meio de uma alimentação equilibrada é possível atingir as quantidades individuais ideias para o bom funcionamento do organismo. Se você tem duvidas, consulte um profissional nutricionista.

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