Espetáculo apresenta clássico da Literatura de Cordel interpretado pelo Teatro Noh

Espetáculo apresenta clássico da Literatura de Cordel interpretado pelo Teatro Noh

A peça mesclou duas tradições culturais do Japão e do Brasil, o Teatro Noh e a Literatura de Cordel, criando um espetáculo vibrante e intenso, cheio de luzes, imagens, música e tecnologia.

Ontem assisti a Chegada de Lampião no Inferno contada em japonês. No espetáculo “Hell Says Noh”, o Teatro Noh interpreta um clássico da Literatura de Cordel brasileira em um incrível e moderno diálogo com recursos multimídia, luzes, movimento, dança e música.

Espetáculo apresenta clássico da Literatura de Cordel interpretado pelo Teatro Noh 1

Ambos, o Teatro Noh e a Literatura de Cordel, são considerados Patrimônios Imateriais da Humanidade. A peça mesclou harmoniosamente estas duas tradições culturais do Japão e do Brasil, e ainda incluiu Karate, Capoeira e a música tradicional do Nordeste brasileiro.

Interpretando o herói folclórico brasileiro Lampião, o mestre de Noh Naohiko Umewaka, um artista de teatro Noh da 14ª geração.

Na peça, Lampião, ao entrar no inferno, foi barrado por Satanás, cujas palavras representadas em formato digital via mapeamento de projeção são declamadas pelo assistente de Satanás, interpretado por Kai Hoshino.

Depois disso, houve uma batalha, uma dança-luta entre Lampião e os porteiros de Satanás, interpretados por duas praticantes de artes marciais: Yoko Mori, especialista em Capoeira, e Miki Nakamachi, campeã de karatê.

Lampião foi o personagem mais descrito pelo cordel e sem dúvida, essa literatura ajudou a mitificá-lo. Encontramos viagens poéticas sobre ele no gracejo, ficção, bravura, crueldade, bondade, religiosidade, enfim centenas de títulos descrevem o homem temido e respeitado, amado e odiado por muitos.

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Literatura de cordel é um tipo de poema popular, oral e impresso em folhetos, que eram expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. 

Essa tradição espalhou-se principalmente para o Nordeste do Brasil. Os cordelistas recitam os versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, além de fazerem suas leituras ou declamações com muita empolgação e animação.

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Foto por Bondikov Photography / CC BY 2.0

Por outro lado, o Noh, uma das principais formas de drama musical japonês, é também conhecido como o teatro das essências. A expressividade é bastante contida, tornando-se quase imperceptível.

As performances são marcadas ainda pelo uso de máscaras, figurinos e acessórios. As emoções são transmitidas principalmente por gestos convencionais estilizados, exigindo que os atores sejam altamente treinados. As máscaras icônicas representam papéis como fantasmas, mulheres, crianças e idosos. 

“Hell Says Noh”, uma reinterpretação radical da obra literária “A Chegada de Lampião no Inferno”, de José Pachêco, é dirigida por Soraya Umewaka, ela própria pesquisadora do Noh. Mestre Umewaka e sua filha Soraya fazem parte de uma tradição familiar de teatro Noh de 600 anos.

Produzido e organizado pela Embaixada da República Federativa do Brasil no Japão em parceria com a Associação Econômica e Cultural Brasil-Japão (ANBEC), juntamente com o apoio da Panasonic Corporation, patrocinadora dos Jogos Olímpicos de 2020.

Jaqueline Kuriu é praticante de Kyudo, a arqueria tradicional japonesa, e estudante de japonês. Atualmente mora em Tóquio, mas nasceu em Curitiba, onde se formou em Educação Física pela UFPR. Trabalhou com dança e atividades culturais, e realizou palestras sobre arte, música, cultura e viagens.

Veja o perfil completo de Jaqueline Kuriu