O que o Japão precisa fazer para criar a vacina do COVID-19

Segundo a opinião de um importante executivo da área farmacêutica, o Japão precisa flexibilizar regulamentações para acelerar a criação de uma vacina para a doença

O que o Japão precisa fazer para criar a vacina do COVID-19

Se quiser desenvolver uma vacina a tempo de salvar vidas, o Japão precisa flexibilizar os rígidos e restritivos regulamentos farmacêuticos do país, e até agora a agência governamental responsável por isso tem se recusado a tratar o novo coronavírus como uma exceção.

Esta é a opinião de Philip Carrigan, fundador e CEO da Morunda, uma empresa de busca e recrutamento de executivos. A Morunda, que tem sede em Tóquio, é focada no setor industrial farmacêutico e médico no Japão, em Cingapura e no Sudeste Asiático.

Em seu artigo, publicado na Nikkei Asian Review, Carrigan observa que cientistas de todo o mundo estão desconsiderando as regras de isolamento para trabalhar dia e noite na esperança de encontrar uma vacina contra o novo coronavírus. Apesar disso, muitos acreditam que os tratamentos ou vacinas estejam disponíveis para a população em geral somente em 2021.

Contudo, no Japão, esta espera seria mais longa.

De acordo com Carrigan, isso se deve ao fato de que os requisitos locais para a realização de ensaios clínicos aumentariam em nove meses ou mais o período de espera por uma vacina. Acredita-se que o processo pode ser acelerado para três ou seis meses, mas o custo é claro se o Japão optar por seguir a tradicional abordagem conservadora.

Além de responsabilizar as regras rígidas do setor, Carrigan afirma que os atrasos no desenvolvimento de tratamento no Japão – ao contrário dos EUA e da UE – decorrem de uma abordagem cautelosa para a aprovação de medicamentos, especialmente no caso das vacinas, pois exigem a realização de testes locais ao invés de fazer uso de dados globais.

O CEO da Morunda cita como exemplo as exceções realizadas num passado não muito distante, quando empresas farmacêuticas ignoraram as rigorosas regulamentações japonesas usando dados globais no caso das vacinas contra a gripe suína H1N1 e os tratamentos contra o HIV.

Ele ainda afirma que a inflexibilidade das regulamentações pode ser desastrosa para o povo do Japão não apenas nesta situação atual mas também no futuro, pois é provável que essa pandemia não seja um evento pontual e que a próxima estirpe do coronavírus já esteja a caminho.