Mudanças climáticas colocam em risco ecossistemas alpinos do Japão

“Não se sabe ao certo que animais e plantas selvagens podem não conseguir acompanhar a velocidade das mudanças climáticas”, disse Kohei Takano, pesquisador da NECI

Mudanças climáticas colocam em risco ecossistemas alpinos do Japão
Montanhas representam 71% do território do país

Animais e plantas alpinos de 10 das 47 províncias do Japão, como Hokkaido, Yamanashi, Nagano, Toyama, Shizuoka, Gifu, Tochigi, Gunma, Niigata e Ishikawa, provavelmente perderão seus habitats no país até o final do século 21, à medida que o aquecimento global se agravar, informou uma equipe do Instituto de Pesquisa em Conservação Ambiental de Nagano (NECI em inglês).

À medida que as temperaturas em seus ambientes aumentam gradualmente devido ao aquecimento global, as espécies se movem para o norte ou para altitudes mais altas, em busca das temperaturas para as quais se adaptaram.

Os pesquisadores e outras instituições públicas estimaram a velocidade da mudança climática (VoCC) que é necessária avançar para manter as mesmas condições climáticas, comparando as temperaturas médias anuais por cerca de um quilômetro quadrado, entre período 1981-2010. Eles também preveem dados para o período 2076-2100.

Sob o cenário de aquecimento global que continua no século 22, eles descobriram que o VoCC médio mais rápido ocorre na província de Okinawa, com 2.174 metros por ano, seguido pela província de Chiba, com 738 metros. Okinawa, que consiste em ilhas e Chiba, que possui grandes áreas planas, sem locais de grande altitude nas proximidades, de modo que animais e plantas alpinos precisariam alcançar habitats mais distantes para sobreviver, afirmam os pesquisadores.

O estudo também sugeriu a possibilidade de que animais e plantas que vivem em regiões alpinas nessas províncias, não encontrariam lugares dentro do país onde poderiam migrar, apesar das leituras de VoCC relativamente baixas, porque não há locais mais altos ou mais frios no país.

N37 - 23-12-2019 - Alpes
Um espécie de perdiz japonesa, conhecida como raichō, e seu filhote são vistos no norte dos Alpes japoneses em julho de 2016
Foto: INSTITUTO DE PESQUISA EM CONSERVAÇÃO AMBIENTAL NAGANO – KYODO