Mistério de 1.400 anos no céu do Japão é resolvido

Há 1.400 anos, o Japão estava passando por mudanças significativas, mas um evento em particular, gravado no Nihon Shoki (que é o segundo livro mais antigo de história do Japão), continuava desconcertando historiadores e cientistas

Mistério de 1.400 anos no céu do Japão é resolvido

Ocorrido no dia 30 de dezembro de 620, o texto relata um estranho “leque vermelho escarlate” que se espalhava pelo céu japonês. Descrito nos registros históricos como tendo a forma de uma cauda de faisão com um comprimento superior a 1 (equivalente a 10 graus), você pode imaginar a perplexidade e a admiração que chegaram às testemunhas na época. Na cultura japonesa tradicional, acredita-se que os faisões sejam os mensageiros dos deuses, por isso é compreensível que esse “sinal vermelho” em particular tenha sido interpretado por muitos como um mau presságio.

Desde sua documentação, o evento causou excitação e confusão entre astrônomos, meteorologistas e físicos. Agora, quase um milênio e meio depois, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa Polar e da Universidade de Pós-Graduação em Estudos Avançados de Sokendai, no Japão, acreditam que podem ter encontrado a resposta. Em uma declaração da EurekAlert! Ryuho Kataoka, pesquisador do instituto, explicou: “É o registro astronômico japonês mais antigo de um ‘sinal vermelho’. Pode ser uma aurora vermelha produzida durante tempestades magnéticas.

Para entender completamente o que havia acontecido há tanto tempo, Kataoka e sua equipe tiveram que olhar os fatos de uma maneira diferente. Eles descobriram que a latitude magnética do Japão 1.400 anos atrás era de 33 graus, em comparação com os 25 graus de hoje, e concluíram que o Japão era muito mais propenso a ter auroras na época, o que não acontece hoje em dia. Mergulhando ainda mais em sua teoria, a equipe criou simulações de fortes tempestades magnéticas e descobriu que os resultados sugeriam que formas não típicas da atual aurora boreal (fitas e ondas) poderiam ser criadas sob essas condições. Para concluir suas descobertas, a equipe observou como o tamanho gravado da tela – de cerca de 10 graus – também é compatível com o que uma aurora afetada por uma tempestade magnética criaria.

A equipe publicou os resultados de seu estudo em 31 de março de 2020 na Sokendai Review of Cultural and Social Studies. Após a explicação do “sinal vermelho”, os pesquisadores mal podem esperar para colocar em suas mãos textos mais antigos, com fenômenos inexplicáveis, de que podem tentar encontrar uma explicação para o uso da ciência e tecnologia modernas.

N54 - 22-04-2020
Numata Kashu (1838-1901)

Leia em Grapee (Connie Sceaphierde - Inglês)

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