Inbox: Garota desaparecida e a treta da postagem

Dentro das muitas mensagens inbox que recebo, algumas razões são perfeitamente compreensíveis, outras bizarras e estapafúrdias

Inbox: Garota desaparecida e a treta da postagem
Caipira News

É bem frequente eu receber pedidos de ajuda dos mais diversos tipos no inbox da minha página. Às vezes fico impressionado com a quantidade de mensagens e das diversas razões que motivam essas pessoas a entrarem em contato comigo.

Deixando de lado essa parte mais exótica da minha inbox, gostaria de me ater às reações aos pedidos de ajuda por motivo de desaparecimento de crianças, quero dizer, adolescentes, quase adultos, adultas, adultas mesmo, garotas!

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Isso mesmo, 100% dos pedidos de ajuda que recebo para tentar encontrar as mocinhas perdidas, como já mencionei, são de pais à procura de suas filhas.

Li esses dias uma pergunta inbox de um seguidor, indagando sobre o que poderia levar jovens brasileiras e latinas por aqui a simplesmente sumirem. É uma boa pergunta que vamos deixar para uma análise futura.

Quando publico esse tipo de conteúdo, as reações são as mais diversas. A grande maioria compartilha e tenta ajudar de alguma forma.

Mas existe um pequeno e barulhento grupo de perfis que causam um quiprocó e tanto na postagem, “advogados” e “juízes” prontos para escarafunchar os fatos com a mínima informação disponível e realizando prejulgamentos (e os executando) e metendo o bedelho onde não lhes convém.

Do inbox para a treta

O caso da garota de 20 anos de Ibaraki (ou mulher, já que no Japão já é considerada adulta) mostrou isso. O grupo da balbúrdia não perdoou e queriam saber o motivo do sumiço da moça, já que 3 meses depois, ela havia dado sinal de vida. Antes de compartilhar ou publicar esse tipo de assunto, procuro atestar os fatos.

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Havia ligado anteriormente para a mãe dela e percebi em seu tom de voz uma mulher triste e desamparada, quase que com suas forças esvaídas pelo cansaço psicológico e físico que mães preocupadas com seus filhos costumam sentir quando eles decidem sumir.

Revelo que por um momento, ao perguntar algumas informações básicas, fiquei sem palavras e não consegui pensar em nada que eu pudesse dizer para aliviar a dor daquela senhora. Fiquei com um sentimento de impotência e até um certo desespero, por um segundo me coloquei no lugar dela e imaginei que poderia ser minha filha.

Enquanto isso, a galera da discórdia, estava preocupada e exigindo saber o motivo pelo qual a garota sumiu, destilando veneno em seus comentários, como se eles tivessem algum direito nesse quesito, como se tivessem comprado algum tipo de rifa e queriam saber quem faturou o prêmio.

Os que causaram esse alvoroço sequer levantaram de seus assentos para estender ajuda à essa mãe aflita. Apenas encostaram o dedo no botão de compartilhar e já concluíram que essa família deveria vir a público para dar explicações. É um negócio que beira a insanidade.

Agora mais insano, esdrúxulo e pra não dizer, infante, foi um sujeito que possui um perfil e página no Facebook e que age como uma espécie de inspetor de corredor de escola. Vou explicar.

Fiquei sabendo do ocorrido por uma mensagem inbox e a pessoa enviou alguns prints que alguém havia feito, à priori, com informações, fotos, essas coisas.

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Porém, esse print foi editado e a parte que mostraria o autor da postagem foi cortada. Qual seria a razão disso? Não sei e nem quero saber, pois o que importava naquele momento era publicar logo, tendo em vista a urgência da ocorrência.

De alguma forma, a “persona” ficou sabendo de minha postagem e teve a pachorra de enviar áudios inbox exigindo a exclusão da publicação alegando que eu havia “roubado” a postagem da página dele.

Ele de alguma forma irracional, acreditou que detinha algum tipo de direito intelectual sobre caracteres gerados por um sistema de programação dentro de uma plataforma digital e digo mais, direito sobre informações de cunho público, já que o desaparecimento da moça havia sido notificado à polícia. É ou não é um guri infante e juvenil?

Esse episódio me fez refletir o que realmente motiva as pessoas a oferecerem ajuda humanitária nesse ambiente de redes sociais. Para alguns, o altruísmo, para outros o holofote. Mais empatia pelo sofrimento alheio é tudo que eu desejo por agora.

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Ricardo Pozzuto

Ricardo Pozzuto, 43. Atuou em empresas no Brasil na área de engenharia de produção, foi ao Japão em busca de novos horizontes e lá está ha mais de 18 anos. Nunca estudou jornalismo mas adora escrever e contar tudo o que vive, sente e pensa sobre o Japão, Brasil e o mundo. É conhecido como Caipira no Japão, um cara que produz conteúdo para as pessoas que valorizam informação, crescimento pessoal de um ponto de vista nem sempre pragmático, mas se diverte muito fazendo isso. Gratidão sempre.

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