Gotokuji: o Templo dos Gatos em Tóquio

Gotokuji: o Templo dos Gatos em Tóquio

Um dos mais populares símbolos da cultura japonesa, o Maneki Neko é aquela estatueta do gatinho da sorte que você encontra em quase todo lugar

Um dos mais populares símbolos da cultura japonesa, o Maneki Neko é aquela estatueta do gatinho da sorte que você encontra em quase todo lugar. Ele acena com a pata direita ou esquerda, dependendo da sorte que a pessoa quer atrair para si. Dizem que se levanta a pata direita atrai saúde e prosperidade, e se for a esquerda, atrai clientes. Este é colocado na entrada de estabelecimentos comerciais.

Existem algumas versões sobre o início dessa lenda. Uma delas diz que quando o samurai Ii Naotaka voltava de uma batalha foi surpreendido por uma forte chuva e abrigou-se embaixo de uma árvore próxima ao Templo Gotokuji. Na época, o lugar era pouco frequentado e consequentemente muito pobre. Ali vivia um monge budista e uma gata de nome Tama.

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Foto por Jaqueline Kuriu

Esperando a forte chuva passar sob a proteção da árvore, Naotaka olhou para o velho templo e viu a gata sentada sobre suas patas traseiras, acenando com a pata dianteira direita levantada em sua direção. O samurai seguiu em direção ao templo para ver de perto a habilidade da gatinha que acenava para ele.

Quando Naotaka chegou junto ao templo, um raio fulminante atingiu exatamente a árvore em que ele se encontrava há poucos momentos. O guerreiro imediatamente percebeu que aquele gesto do gato havia lhe salvado a vida. Então, entrou no templo para rezar em agradecimento à boa sorte que teve.

No salão principal, havia várias goteiras, e todo o templo encontrava-se em condições precárias. Naotaka fez uma generosa oferenda ao altar, passou a frequentar o local, que passou a ser o templo oficial de todo o clã de sua família. Consequentemente, tornou-se um santuário próspero, visitado por todas as pessoas da região.

Para homenagear o gesto da gatinha Tama, que trouxe prosperidade ao templo e, principalmente, salvou a vida de Naotaka, uma estátua dela com a pata levantada foi esculpida e colocada no local. As réplicas em miniaturas da estátua, que eram distribuídas no Templo Gotokuji como lembrança, tornaram-se um amuleto de sorte.

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Foto por Jaqueline Kuriu

Localizado em uma região tranquila em Setagaya, até hoje os visitantes de Gotokuji compram o Maneki Neko, fazem um pedido ou oração por boa sorte e deixam no templo. Também é possível levar a estatueta para casa e mantê-la até que o desejo ou a oração se cumpra e depois retornam para colocar a estatueta no templo para agradecer. O tamanho varia entre 3 e 30 centímetros, e o preço também acompanha o tamanho, embora não afete a sorte que atrai.

Se você quiser ver o maior número de gatinhos, a melhor época para visitar o Templo de Gotokuji é de janeiro a fevereiro. Isso porque janeiro é o período em que se oferece o hono, a oferenda ao Buda. Mas se você quiser aproveitar para ver o Koyo, que é apreciar as folhagens coloridas, a melhor época é o outono. (Veja mais sobre o tema: Outono em Tóquio – dicas com as melhores paisagens)

Há outros tipos de amuletos que podem ser adquiridos no templo. Entre eles as plaquinhas em madeira com o desenho de Maneki Neko em que o visitante escreve um pedido e deixa em um local específico, e o Omikuji, um papel que contém uma boa ou uma má sorte. Os atendentes do templo são sempre gentis em ajudar as pessoas que não falam japonês a entender a mensagem. Se a mensagem for boa a pessoa leva para casa, caso contrário há um local para deixar a “má sorte”, que são queimadas num ritual para que sejam transformadas.

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Foto por Jaqueline Kuriu

No templo se encontra o cemitério da família Naotaka. Na visão budista o cemitério não é um local de sofrimento mas sim de paz.

O passeio pode se estender ao belo jardim onde há bancos para apreciar a natureza e as formas do tradicional jardim japonês.

Localizado fora do centro movimentado de Tóquio é um bom passeio para quem quer dar uma escapadinha do agito.

Templo Gotokuji, 2 Chome-24-7 Gotokuji, Setagaya City, Tokyo

Aberto todos os dias das 08:00 às 16:30 horas.

Jaqueline Kuriu é praticante de Kyudo, a arqueria tradicional japonesa, e estudante de japonês. Atualmente mora em Tóquio, mas nasceu em Curitiba, onde se formou em Educação Física pela UFPR. Trabalhou com dança e atividades culturais, e realizou palestras sobre arte, música, cultura e viagens.

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