Estudo mostra que só a vacinação não terá grande impacto para evitar quarta onda do vírus em Tóquio

As perspectivas da capital podem ser muito mais severas se as variantes do COVID-19 começarem a se espalhar

Estudo mostra que só a vacinação não terá grande impacto para evitar quarta onda do vírus em Tóquio

De acordo com uma pesquisa do professor de gerenciamento de sistemas da Universidade de Tsukuba, Setsuya Kurahashi, através de uma simulação usando inteligência artificial, analisou como o lançamento da vacina ajudaria a prevenir a disseminação do coronavírus em Tóquio se novas infecções aumentassem no mesmo ritmo que durante a segunda onda do verão passado.

Mesmo se 70 mil pessoas fossem vacinadas por dia, ou 0,5% dos 14 milhões de habitantes da capital, com prioridade para pessoas com 60 anos ou mais – a capital ainda veria uma quarta onda de infecções atingindo 1.610 novos casos no dia 14 de maio, mostrou o estudo. O estudo também mostrou que uma quinta onda deve atingir o pico de 640 casos em 31 de agosto. “O efeito da inoculação da vacina será observado a partir de julho, então presume-se que é perigoso colocar muita esperança no efeito das vacinações para a quarta onda”, escreveu Kurahashi.

Além da vacina, um mecanismo que aciona automaticamente medidas mais rígidas se novos casos diários excederem um certo limite, que o estudo chama de “disjuntor”, ajudaria a conter uma quarta onda de infecções. Esse sistema funcionaria como uma ferramenta para os formuladores de políticas imporem um amplo conjunto de medidas, semelhantes às observadas em um Estado de Emergência, para restringir o contato das pessoas umas com as outras, por exemplo, reduzindo o horário comercial, limitando o número de participantes em certos eventos, aumentando a prevalência do teletrabalho e pedindo às pessoas que evitem passeios não essenciais.

O estudo também apontou para um benefício potencial de não dar prioridade de vacinação exclusivamente aos idosos. De acordo com a pesquisa, é cerca de cinco vezes mais provável que pessoas com 59 anos ou menos infectem pessoas com 60 anos ou mais do que o contrário. Acelerar a implementação da vacinação por si só não será capaz de prevenir uma quinta onda de infecções, mas o uso eficaz de um disjuntor, além de adicionar pessoas com menos de 60 anos a pelo menos 10% das listas de vacinação prioritária, seria útil para prevenir a propagação do vírus, acrescentou.

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