Embaixada do Brasil em Tóquio: nova pesquisa sobre autismo na comunidade brasileira

Embaixada do Brasil em Tóquio: nova pesquisa sobre autismo na comunidade brasileira

Desde 2016 a controversa alta incidência de crianças brasileiras com autismo no Japão tem sido debatida. Agora a Embaixada do Brasil em Tóquio publica dados que indicam que as crianças brasileiras em salas de aula especiais não eram tantas quanto imaginávamos, mas ainda falta entender melhor como a pesquisa foi realizada

Errata: Uma versão anterior dizia que a pesquisa foi realizada pelo Consulado do Brasil em Tóquio, porém, o estudo foi feito pela Embaixada do Brasil em Tóquio.

A Embaixada do Brasil em Tóquio divulga dados sobre a pesquisa realizada para identificar a prevalência de crianças brasileiras com autismo em comparação às crianças japonesas. 

Desde 2016 quando a ONG Sabja lançou dados compilados sobre o número de crianças brasileiras residentes no Japão com autismo, o debate foi estabelecido de forma acirrada. Os dados apresentados na época diziam que 6,15% das crianças brasileiras tinham o diagnóstico de autismo, enquanto o índice das crianças japonesas ficava em 1,49%.

Os dados divulgados foram questionados tanto pelo governo brasileiro, quanto por especialistas da área. Vários casos de crianças diagnosticadas com autismo no Japão vieram à tona para criticar os critérios, entre eles a conduta das escolas pré-estabelecendo um diagnóstico seguido pelo médico japonês sem questionamentos, a falta de políticas públicas para imigrantes brasileiros, a impossibilidade dos pais estarem mais tempo com seus filhos devido o excesso de trabalho, a forma de realização e utilização dos testes psicológicos voltados para a cultura e língua japonesa, além do fato de que tais testes no Japão não necessariamente seriam aplicados por psicólogos.

Após a polêmica algumas pesquisas foram iniciadas para avaliar a questão e agora o Consulado publicou em sua página na internet alguns poucos dados que levam a entender que o divulgado inicialmente não é a realidade em algumas cidades japonesas.

A pesquisa não foi divulgada integralmente, apenas poucos dados, mas que parecem centrais para a pesquisa com objetivo quantitativo. As cidades escolhidas para a pesquisa foram: Hamamatsu, em Shizuoka, Toyohashi, em Aichi e Oizumi, em Gunma, como municípios tradicionalmente conhecidos pela concentração da comunidade brasileira; Echizen, em Fukui e Izumo, em Shimane, como municípios em que a comunidade brasileira vem crescendo nos últimos tempos; Minato-ku,  em Tóquio como locais urbanos de alta renda. A escolha dessas cidades teve por base locais onde a população brasileira fosse superior a 5 mil pessoas e que representassem mais de 60% dos estrangeiros.

Os dados

Total de estudantes (japoneses e estrangeiros): 118.043

Alunos em classes especiais: 1.277 (1,08%)

Alunos japoneses em classes especiais: 1.245 (1,10% do total de 113.423)

Alunos estrangeiros em classes especiais: 32 (0,69% do total de 4.630)

Alunos brasileiros em classes especiais: 22 (0,92% do total de 2.391)

Resultados

Embora a pesquisa não tenha sido publicada na íntegra, os dados não correspondem aos publicados em 2016. O número de crianças brasileiras em salas especiais é menor que o número entre os japoneses.

A divulgação inicial dos dados em 2016 falava sobre diagnósticos de autismo, enquanto a pesquisa da Embaixada traz dados sobre crianças em salas de aulas especiais, ou seja, crianças que precisam de apoio cognitivo e emocional. Ainda não sabemos se quantitativamente se trata da mesma coisa ou se a pesquisa de 2016 tinha outro foco. Também é preciso avaliar os critérios das duas pesquisas para entender a diferença divulgada até agora.

Precisamos esperar por mais informações das agências oficiais para compreender a pesquisa, o que nos deixa com mais perguntas do que respostas.

Formada em psicologia em 2006 pela UNESP, com mestrado em Saúde Mental pela mesma Universidade. Psicanalista lacaniana, membro do Open Dialogue Network Japan e atende no Japão pelo Amae Institute.

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