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Cristianismo no Japão – Keikyo Kirishitan, os primeiros cristãos japoneses

Os Kirishitan foram descobertos em 1549 d.C., quando Francisco Xavier, o missionário jesuíta, chegou à nação insular. Aparentemente, o missionário tinha ouvido falar desses primeiros cristãos no Japão e suspeitou que eles provavelmente haviam perdido os fundamentos da fé, tendo sido separados do restante da Igreja por centenas de anos.

Cristianismo no Japão – Keikyo Kirishitan, os primeiros cristãos japoneses

Ao contrário da tradição popular, o cristianismo no Japão remonta a séculos antes da chegada do missionário jesuíta São Francisco Xavier, em 1549, já haviam no país insular os keikyo Kirishitan, afirmam um evangelista cristão e outros pesquisadores.

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Muito antes de Francisco Xavier

O reverendo americano Ken Joseph disse em uma reunião na UCA (Union of Catholic Asian News) em 16 de março de 1998 que o cristianismo chegou ao Extremo Oriente há cerca de 1.800 anos, ao longo da “Rota da Seda”, passando pela China até Nara, no centro do Japão.

Prova disso, disse o reverendo Joseph, foi uma cópia do Evangelho de São Mateus na antiga escrita chinesa, datando do século IX, encontrada dentro do Templo Budista Koryuji em Quioto, perto de Nara.

Este templo é citado por pelo menos um historiador como tendo sido construído por volta de 818 no topo de um edifício cristão erguido em 603 que foi destruído por um incêndio.

Construindo sobre o passado

“Muitos templos budistas foram construídos em cima de igrejas cristãs antigas e incendiadas, deixadas em ruínas. Pesquisas diligentes hoje ainda podem descobrir essas relíquias perdidas”, disse o reverendo Joseph.

O pesquisador M.L. Young diz que um dos objetos mais sagrados do Templo Budista Nishi Honganji, fundado por Kobo Daishi em 806 após seu contato com um mosteiro Nestoriano Cristão em Pequim, é o “Discurso do Senhor do Universo sobre a Esmola”, um comentário sobre o Sermão da Montanha e outras passagens de Mateus.

A religião luminosa

O cristianismo era referido como a “religião luminosa” nos registros chineses que se referiam aos missionários nestorianos e, em japonês, “keikyo” (ensinamentos brilhantes) é usado em geral para descrever o cristianismo na Ásia.

O reverendo Joseph, diretor do Instituto Keikyo em Tóquio, pastoreia sua própria Igreja em Nerima, chamada Grace Chapel.

Ele apresentou slides de vários artefatos e estátuas que uma vez tiveram cruzes cristãs esculpidas neles, mas que foram posteriormente apagados ou modificados por seguidores budistas, alegou.

O Cristianismo Nestoriano

O Cristianismo Nestoriano remonta a Nestório, um bispo de Constantinopla, cuja visão de Jesus ter dupla natureza, humana e divina, foi rejeitada pelo Concílio Ecumênico de Éfeso em 431, levando à criação de Igrejas Nestorianas separadas.

Alguns pesquisadores japoneses dizem que os primeiros portadores do cristianismo para o Japão foram os Hata do moderno Cazaquistão, que vieram para o Japão das cidades da Rota da Seda de Constantinopla, Egito e Pérsia a partir de 200 d.C.

Os Keikyo do Oriente

Os próximos, dizem eles, foram os keikyo da Igreja Assíria (Nestoriana) do Oriente, que começaram a vir para o Japão a partir do século V.

O reverendo Joseph também falou sobre os “cristãos ocultos”, que por 200 anos conseguiram manter secretamente sua fé viva em meio à perseguição brutal pelo xogunato Tokugawa durante os séculos 17 e 18.

Nagasaki era então o centro do cristianismo mais importante no Japão, tendo cerca de uma dúzia de igrejas e cerca de 400.000 católicos.

Códigos secretos, adaptações e a sobrevivência da fé

A cerimônia do chá japonesa “chado” estava ligada à missa católica, afirmou o reverendo Joseph, permitindo que os cristãos praticantes se reunissem como uma comunidade para praticar sua fé por meio de códigos secretos e adaptações.

Por exemplo, as xícaras de chá eram viradas três vezes antes de serem bebidas, para simbolizar a Trindade, e os guardanapos dobrados de certa forma para indicar que era hora de rezar o Pai Nosso em silêncio.

No entanto, “mais de um milhão de japoneses foram martirizados por sua fé durante este reinado de terror”, que durou até 1889, quando a Constituição Meiji declarou a liberdade religiosa no Japão, acrescentou o evangelista.

O assistente e colega pesquisador do reverendo Joseph, Jann Hollingsworth, exibiu um mapa de locais cristãos do norte ao sul do Japão, desfazendo a noção de que o cristianismo estava confinado a Nagasaki, no sul.

“O cristianismo era muito mais difundido do que se acreditava”, disse Hollingsworth.

Takara Stefens

Takara Stefens é Gaúcho de nascimento, alma e coração, cidadão do mundo por opção. É pai, professor, escritor, amante da vida e de tudo que é belo. Também escreve lá no Nihon Daisuki Tchê. Acompanhe nas mídias sociais através dos links acima (ou abaixo)!

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