Cristianismo no Japão – A chegada da palavra de Cristo em Terras Nipônicas

Os padres Francisco Xavier, Cosme de Torres e João Fernandes foram os primeiros a chegar a Kagoshima na esperança de levar o cristianismo e o catolicismo para o Japão, junto à eles vinha Anjiro (mais tarde conhecido como Pablo de Santa Fé), um japonês convertido

Cristianismo no Japão – A chegada da palavra de Cristo em Terras Nipônicas

Apesar da Chegada dos Portugueses ao Japão em 1543, as atividades missionárias de cristianismo no Japão só tiveram início de fato em 1549, sendo realizadas por jesuítas ao abrigo do Padroado. De início tiveram um enorme sucesso, estabelecendo várias congregações. Mais tarde, sob o patrocínio espanhol, chegaram ao Japão as ordens mendicantes dos franciscanos e dominicanos.

Cristianismo no Japão

Dos 95 jesuítas que trabalharam no Japão até o ano de 1600, 57 eram portugueses, 20 espanhóis e 18 italianos. Os padres Francisco XavierCosme de Torres e João Fernandes foram os primeiros a chegar a Kagoshima na esperança de levar o cristianismo e o catolicismo para o Japão, junto à eles vinha Anjiro (mais tarde conhecido como Pablo de Santa Fé), um japonês convertido. Estima-se que no auge tenha chegado a cerca de 300 mil cristãos no Japão.

Mas a intromissão estrangeira em um país em fase de unificação incomodou as autoridades locais, logo o catolicismo foi progressivamente reprimido em várias partes do país até ser proibido após a Rebelião de Shimabara, entre 1637 e 1638, passando a ser celebrado em segredo na clandestinidade pelos chamados kakure kirishitan (隠れキリシタン “cristão escondido”).

Em 1859, quando chegaram ao Japão, missionários franceses descobriram que cerca de 60 mil japoneses praticavam o cristianismo na clandestinidade. As comunidades kakure kirishitan existem até hoje.

Barrados em Quioto

A trupe composta pelos padres Francisco Xavier e Cosme de Torres, o irmão João Fernandes e Anjiro (Pablo de Santa Fé), foi a Quioto solicitar ao imperador permissão para iniciar uma missão cristã no país.

Mas os missionários não puderam entrar na capital e também sentiram forte desânimo ao ver as condições em que o palácio real se encontrava.

A primeira aproximação com uma autoridade foi com os daimyos do sudeste japonês na região de Kyushu. Interessados no comércio com os ocidentais, os senhores da guerra japoneses receberam a comitiva cristã com cordialidade.

A Influência dos Daimyo e o papel da guerra na propagação do cristianismo no Japão

A vantagem em obter comércio com os ocidentais deu uma clara vantagem aos daimyo na guerra, novas tecnologias e armas transformaram o cenário dos campos de batalha.

Os padres começaram a se vestir como os nobres para aumentar sua influência no país e isso deu tão certo que algumas figuras importantes da história japonesa se converteram ao cristianismo, mas o interesse de muitos deles não era religioso.

O real objetivo era minar a influência e poder político dos templos budistas. Se um senhor da guerra se convertia, subordinados e camponeses seguiam o mesmo caminho.

Seis daimyo se converteram ao cristianismo no Japão em 1579 e junto com eles mais de 100 mil subordinados e camponeses.

Oda Nobunaga foi patrono da missão jesuíta no país, após sua morte em 1582 haviam mais de 200 mil cristãos japoneses e aproximadamente 250 igrejas em todo país.

Keikyo Kirishitan, os primeiros Cristãos japoneses

Os Kirishitan (キリシタン) são cristãos japoneses indígenas. Eles são descendentes de um grupo anterior de cristãos indígenas conhecido como Keikyo, que (acredita-se) veio do Oriente Médio para o Japão através da China e da Coreia. Estima que as primeiras igrejas foram plenamente estabelecida no final século IV, especialmente em Nara, no Japão central.

Os Kirishitan foram descobertos em 1549 d.C., quando Francisco Xavier, o missionário jesuíta, chegou à nação insular. Ele aparentemente tinha ouvido falar desses primeiros cristãos no Japão e suspeitou que eles provavelmente haviam perdido os fundamentos da fé, tendo sido separados do restante da Igreja por centenas de anos.

Um dos primeiros atos de Xavier foi pregar o Evangelho a esses descendentes dos Keikyo. Muitos voltaram avidamente à fé de seus antepassados. Em um ano, quase 10.000 experimentaram um reavivamento tão dramático que, por volta de 1600 d.C., o Kirishitan cristão compreendia a maior comunidade religiosa organizada do Japão.

A influência do renascimento do Kirishitan foi profunda. Três em cada quatro Daimyo, ou governantes militares da área, se converteram. Estima-se que três milhões de japoneses, de uma população de 10 milhões, tenham se tornado parte do movimento Kirishitan. No Japão, a época foi apelidada de “O Século Cristão”.

A influência do Kirishitan revolucionou a sociedade japonesa. Eles construíram hospitais e leprosários. Muitas agências de serviço social foram fundadas pelo movimento Kirishitan.

Onde há fé, há prosperidade

Os missionários cristãos contribuíram na guerra e até em planos de assassinatos. Muitos jesuítas incluindo a ordem lucraram muito com o comércio japonês.

Em 1580 um padre chamado Vilela converteu o daimyo Omura Sumitada, responsável pelo porto de Nagasaki. Em agradecimento ao padre, Sumitada o presenteou com o porto e toda sua fortaleza.

Cristianismo no Japão

Durante a administração cristã, o que era um porto com apenas uma rua e uma simples vila de pescadores se tornou um porto internacional rivalizando com os portos de Goa e Macau.

Um enorme volume de prata circulava do Japão para a Europa e o comércio de armas e especiarias só crescia no país por conta da abertura dos portos.

Os Daimyo Cristãos

Veja alguns dos daimyo que se converteram ao cristianismo no Japão:

  • Paulo Miki (1563-1596);
  • Sumitada Omura – primeiro senhor feudal cristão (1533-1587);
  • Arima Harunobu – Dom Protasio, Senhor de Shimabara (1567-1612);
  • Yoshido Kuroda – Dom Simeao, líder das forças de Mori ( 1546-1604);
  • Yukinaga Konishi – Dom Agostinho, membro-chefe da equipe de campo de Hideyoshi (1556-1600);
  • Ukon de Akashi – Dom Justo Takayama;
  • Dom Leão Gamo Ujisato (1556-1595);
  • Dom Agostinho Konishi (Clã Konishi, seu Kamon é uma cruz semelhante à da Ordem do
  • Santo Sepulcro);
  • Bizen no Gomoji – filha de Hideyoshi (1574-1634);
  • Ōtomo Sōrin (大 友 宗麟 1530-1587) – Dom Francis;
  • Yoshisige (藤原 義 鎮);
  • Ōtomo Yoshishige (大 友 義 鎮);
  • Ōtomo Yoshimune (大 友 義 統) – Constantino;
  • Ōtomo Chikaie (大 友 親家) – Dom Sebastin;
  • Ōtomo Chikamori (大 友 親 盛);
  • Itō Mansho (伊 東 マ ン シ ョ) – Mancio Ito;
  • Julião Nakaura (中 浦);
  • Hara Maruchino (原 マ ル チ ノ) – Martinão Hara;
  • Chijiwa Migeru (千 々 石 ミ ゲ ル) – Miguel Chijiwa;
  • Hasekura Tsunenaga (支 倉 常 長).

Takara Stefens é Gaúcho de nascimento, alma e coração, cidadão do mundo por opção. É pai, professor, escritor, vegano desde 2020 e amante da vida e de tudo que é belo.

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