Algumas diferenças entre as academias de ginástica no Japão e no Brasil

Algumas diferenças entre as academias de ginástica no Japão e no Brasil

Quais as necessidades daqueles que buscam uma academia no Japão? O atendimento e o acompanhamento do profissional são fundamentais nesse processo. Porém, a maneira que esse suporte é realizado nas academias de ginástica do Brasil e do Japão são um pouco diferentes

Ao buscar serviços relacionados a exercícios físicos, como academias e studios, uma das primeiras coisas que se pensa é o “onde”.  A proximidade, o preço, a estrutura e quem frequenta, por exemplo, são fatores importantes levados em consideração, mas um dos, ou talvez o principal fator é a qualidade do acompanhamento profissional.

Assim como médicos, enfermeiros e fisioterapeutas precisam de formação específica e registro nos seus Conselhos, no Brasil, por exemplo, os professores de Educação Física precisam estar devidamente registrados no Conselho Regional de Educação Física (CREF) para atuarem legalmente. 

Em relação ao Japão, profissionais que atuam nessa área também precisam de uma licença especial para trabalhar. Caso contrário, estão impossibilitados, realmente, de exercer a função, pois a fiscalização e o cumprimento das regras são bastante rigorosos.

As academias de ginástica geralmente são procuradas por pessoas que buscam estética, saúde, qualidade de vida ou um lazer por meio da prática de exercícios. Mas será que esses objetivos são obtidos?

O principal responsável por atingir resultados satisfatórios através das atividades físicas regulares é o próprio indivíduo, pois é necessário um mínimo de disciplina – frequência e consistência – e entender que o corpo precisa de um tempo, individual, para “responder” a essa prática.

No entanto, o atendimento e o acompanhamento de qualidade do profissional são fundamentais nesse processo, pois o aluno/cliente precisa do auxílio do professor ou personal trainer para diagnosticar as principais necessidades, elaborar o plano de treino, ensinar a execução dos movimentos e monitorar o transcurso. Porém, a maneira que esse suporte é realizado nas academias de ginástica do Brasil e do Japão são um pouco diferentes.

Considerando uma boa academia, com excelentes professores, capazes de transformar vidas, o relacionamento com os alunos/clientes é com proximidade, conversa diária, atualização de treino  de acordo com as necessidades e periodização, e a forma mais comum e assertiva de avaliação de composição corporal é feita com o uso do adipômetro, um aparelho para aferir as dobras cutâneas, método pelo qual o profissional precisa tocar no cliente.

No Japão, a cultura do Omotenashi (hospitalidade) é algo sem igual. O cliente é cordialmente tratado da hora que chega ao estabelecimento até o momento que sai. No entanto, é uma relação em que existe um espaço onde o cliente pode se sentir livre e ao mesmo tempo tem todos os seus problemas resolvidos quando solicita o profissional. Ou seja, nas academias do Japão, o professor vai até o cliente quando é chamado e assim, o auxilia com excelência!

Nas academias de ginástica não poderia ser diferente. Através de uma entrevista com um professor de academia e personal trainer, perguntei por que o atendimento ao aluno/cliente era realizado com essa “distância” – distante comparado com o atendimento de qualidade do Brasil. Ele respondeu que mais proximidade pode ser interpretada como invasão, principalmente pelo público feminino. Sobre a avaliação de composição corporal, usar adipômetro para medir dobras cutâneas, método o qual há a necessidade de tocar o corpo do cliente, isso não seria permitido especialmente pelas mulheres. Então para isso se usa a bioimpedância, procedimento em que a avaliação é feita através de eletrodos.

No caso do atendimento de personal trainer em academias – o treinador pessoal – este sim são similares tanto no Brasil quanto no Japão. Com um bom acompanhamento personalizado, os resultados acontecem mais rápido.

É válido ressaltar que exercícios físicos não necessariamente precisam ser realizados em academia e a forma de atendimento do profissional deste ramo está tanto no método presencial quanto on-line. 

Independentemente dos métodos elegidos, a supervisão do professor de Educação Física é fundamental pois é alguém que está comprometido com a sua saúde. E você, está?

Fundadora de YUMI SAITO SPORTS LIFE & CONSULTORIA, é professora de Educação física, especializada em educação especial. Tem 11 anos de experiência em treinamento de grupos especiais e educação física escolar.

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