10 dicas para se manter protegido na internet em 2022

Aplicativos, conceitos e atitudes para você aumentar sua segurança e privacidade na internet.

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É fácil deslumbrar-se pelos poderes e facilidades que a era digital nos trouxe, e tomar por comum a entrega de suas preciosas informações pessoais para o novo aplicativo da moda que todos estão usando, afinal de contas, você não tem nada o que esconder, não é?

O pensamento comum é de que na eventualidade de uma empresa ter o controle de suas informações pessoais, hábitos de navegação e histórico de suas pesquisas na internet, o máximo que conseguirão fazer é oferecerem um produto novo ou exibirem aquele vídeo viral aleatório e engraçado.

Entretanto, o mais provável é que se você não está pagando por algo na internet, o produto é você.

Nada contra a publicidade na internet, que tem enorme importância e ajuda principalmente os pequenos negócios, mas deve ser feita de forma ética e respeitando a privacidade do usuário. O usuário, por sua vez, detentor do direito de propriedade sobre seu dispositivo, conexão com a internet e dados, deve decidir exatamente com quem e quando irá compartilhá-los.

Para além disso, redes sociais, mecanismos de pesquisa e grupos de mensagens são hoje os maiores canhões de propagando política, ideológica e comportamental que já conhecemos.

Nessa guerra de informações onde nós, os indivíduos, parecemos o ponto mais fraco, dois importantes aliados surgem para nos ajudar: código aberto e criptografia.

Em síntese, software de código livre e aberto é todo aquele que pode ser usado, modificado e distribuído livremente por qualquer pessoa, para qualquer fim. Já criptografia, por sua vez, é codificar dados de maneira que somente o detentor de uma chave poderá decifrá-lo. A união de ambos cria as mais poderosas armas para garantir nossa segurança, privacidade e soberania no mundo digital.


Abaixo listo 10 dicas em ordem decrescente de importância, que não devem ser tomadas ao pé da letra e com radicalismos. A curva de aprendizado de algumas das práticas e ferramentas listadas pode ser longa. Adapte uma de cada vez no seu tempo e sua rotina, adicionando novas recomendações quando estiver mais acostumado.

Com poucas exceções, as sugestões são para os já citados softwares livres e de código aberto, o que garante a verificação da qualidade do software e inibe a ação de agentes maliciosos. Cada dica possui uma sugestão mais recomendada e outra de apoio, geralmente mais avançada. Softwares exclusivos do iOS (sistema operacional dos iPhones) não foram testados por mim, uma vez que não utilizo este sistema operacional.

O conteúdo abaixo tem o intuito de servir como um guia didático, fornecendo primariamente conceitos e ideias gerais de uso, fruto de longa pesquisa e experiência pessoal e profissional. As recomendações também são propositivas, Não se trata de promoção para nenhum aplicativo ou serviço, não fazendo uso de nenhum link afiliado ou parte de campanha de publicidade.

Baseado em tudo o que leu até agora neste artigo, faça você mesmo suas pesquisas, tire suas próprias conclusões e utilize tudo por sua conta e risco.

1) Crie e guarde senhas em um gerenciador

Juntamente com nome de usuário ou email, as senhas formam as credenciais para desbloquear suas contas por toda a internet, abrindo e fechando as portas de acesso de sua vida online. E da mesma forma como você não deixa a porta da sua casa ou carro abertos, e também não entrega a chave a qualquer um, deve tomar cuidados extras com suas senhas.

Utilizar um gerenciador de senhas é o passo mais importante para elevar sua segurança na internet. Você basicamente terá de se lembrar de somente uma senha para o resto de sua vida (e certifique-se agora de que esta será bem forte), e o aplicativo se encarregará de gerar, salvar e preencher todas as outras, da forma mais segura e prática possível, simplificando todo o processo e seguindo as melhores práticas, tais como:

  • Uma única senha para cada conta/serviço;
  • Senhas longas, com letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais, sem dados pessoais;
  • Armazenar suas senhas seguramente com criptografia;
  • Ao preencher automaticamente as suas credenciais, pode evitar phishing (sites que se passam por outros para capturar dados).

Senhas que não seguem os padrões acima, sendo portanto de baixa entropia, como “adam1970”, podem ser quebradas instantaneamente por programas especializados em descriptografia. Verifique aqui se o seu email já foi hackeado ou teve os dados expostos em algum vazamento.

Sinceramente, não existe motivo algum para você não estar usando um gerenciador agora mesmo.

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Bitwarden (baixe aqui)

Eu utilizo Bitwarden há anos, desde que era desenvolvido somente por uma pessoa, com o código fonte distribuído no GitHub, e tem sido incrível acompanhar seu crescimento, tendo sido inclusive recomendado por gigantes do meio da cibersegurança, como a SpiderOak. O programa está disponível em mobile para Android e iOS, desktop para Windows, macOS e Linux, e ainda com extensões para Firefox, Chrome e outros. Seu uso é simples, porém os detalhes de configuração podem ser intimidadores para iniciantes. É possível criar uma conta junto ao Bitwarden para armazenar suas senhas na nuvem (criptografadas, ou seja, nem eles possuem acesso), ou criar seu próprio servidor para armazená-las.

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KeePassXC (baixe aqui)

Este é o “padrão de ouro” do gerenciamento de senhas para computadores, com um legado de décadas de desenvolvimento, e inúmeros softwares derivados baseados em seu formato (exemplo da força do código aberto, sendo o próprio KeePassXC um derivado). Este aplicativo irá gerar um arquivo criptografado com uma senha (com a extensão ‘.kdbx’), onde poderão ser armazenadas todas as suas outras credenciais, notas ou até arquivos. Tudo é feito diretamente em seu computador, portanto caso queira sincronizar com outros aparelhos, terá de fazer sozinho (utilize uma opção de armazenamento em nuvem citado abaixo). Caso queira sincronizar com mobile, eu recomendo o AuthPass (baixe aqui).

  • Não utilize gerenciadores de senha de navegadores (por padrão, não usam criptografia [sim, suas senhas estão armazenadas como texto puro por aí e estão suscetíveis a vazamento de dados]);
  • Não guarde senhas em blocos de notas (raramente são criptografados e ainda podem sincronizar automaticamente em nuvem).

2) Ative a autenticação de 2 fatores sempre que possível

Para adicionar mais uma camada de segurança às suas contas, a autenticação de dois fatores (two-factor authentication ou 2fa em inglês) é essencial, exigindo além da senha um código numérico randômico, alterado a cada minuto. Isso irá impedir que mesmo na eventualidade de ter sido hackeado ou ter seus dados vazados alguém possa acessar a sua conta.

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Aegis Authenticator (baixe aqui, somente para Android)

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Tofu Auth (baixe aqui, somente para iOS [não testado])

  • Não utilize autenticação de dois fatores enviadas por SMS (números podem ser facilmente clonados e receberem seus códigos);
  • Não utilize aplicativos que exigem número de celular como login (pelo mesmo motivo acima).

3) Prefira armazenamento local e use somente armazenamento em nuvem com criptografia de ponta-a-ponta

É bem provável que você tenha ativado o salvamento automático de suas fotos na nuvem em algum serviço do seu celular, com probabilidades ainda maiores deste serviço não possuir nenhuma forma de criptografia on rest, ou seja, uma vez enviados via HTTPS (que é um protocolo exclusivamente criptografado), seus dados são armazenados assim mesmo, visíveis a todos, dependendo da competência e política de privacidade de terceiros. O mesmo caso está ocorrendo com todos os outros dados salvos em armazenamentos em nuvem (cloud backup/drive/storage) sem criptografia que você estiver utilizando.

Com ajuda da melhor amiga da segurança já inventada, a criptografia, você pode tomar soberania de seus dados e não depender de mais ninguém para torná-los seguros.

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Mega (baixe aqui)

Uma das empresas de armazenamento em nuvem mais experientes do mercado, foi fundada em 2013 após o fechamento do antigo site de compartilhamento de arquivos Megacloud, e em 2016 liberou o código de todos os seus aplicativos para análise e escrutínio (embora sob uma licença não totalmente permissiva). Todos os dados são criptografados localmente no dispositivo que você estiver utilizando e são então enviado para os servidores do Mega, onde ainda são divididos randomicamente em pacotes de dados e distribuídos globalmente. O uso do aplicativo depende da contratação de um serviço, que é pago, embora tenha um plano inicial gratuito.

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Syncthing (baixe aqui)

Um novo tipo de conceito em armazenamento de dados, com sincronização contínua e em tempo real, entre seus próprios dispositivos (ou de qualquer outra pessoa com quem queira compartilhar), com o benefício de não salvar nada na nuvem. Este excelente software livre e gratuito permite, por exemplo, que você salve automaticamente as fotos do seu celular em seu computador, montando o seu backup pessoal e privado.

  • Não utilize armazenamento de dados sem criptografia [a não ser em casos estritamente necessários];
  • Não utilize o armazenamento de redes sociais como armazenamento de suas fotos [elas obviamente não são criptografadas].

4) Envie mensagens instantâneas com criptografia e sem coleta de metadados

Mensagens instantâneas para amigos, familiares ou grupos podem conter alguns de seus dados mais pessoais e valiosos, e guardá-las sem criptografia e segurança pode significar estar expondo-se a fraudes, golpes, crimes ou opressão e censura governamental. O fato de que o estado no mundo inteiro odeia mensagens criptografadas e constantemente tenta bloquear tais aplicativos diz muito sobre sua importância.

Não menos importante, existe a possibilidade de que o seu aplicativo de mensagens favorito também esteja, ou venha eventualmente, a coletar seus metadados (número de telefone, operadora, marca do aparelho, hábitos de uso, etc) e os compartilhar com parceiros comerciais ou governos, por meio de ordens judiciais.

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Signal (baixe aqui)

É o único dos grandes aplicativos de mensagens que atende os requisitos de ser tanto livre e de código aberto, e possuir um sistema de criptografia confiável. Teve um crescimento enorme com a debacle de privacidade de outros mensageiros e redes sociais, o que culminou por ser recomendado por famosos como Elon Musk. Seus pontos negativos mais notáveis são o da obrigatoriedade de cadastrar e compartilhar um número de telefone com seus contatos e o da dependência de um servidor centralizado.

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Telegram (baixe aqui)

É um programa bastante popular, de código livre e aberto, e que não obriga a exposição de seu número de telefone a terceiros, mas que possui criptografia somente opcional, o que não atende os melhores requisitos de segurança. Seu uso é recomendado com criptografia ativada.

  • Não utilize mensageiros de redes sociais (praticamente nenhum garante criptografia ou a não coleta de dados);
  • Não é recomendado enviar mensagens da sua operadora telefônica (SMS) ou similares (não existe nenhuma encriptação nesse tipo de serviço).

5) Navegue na web com segurança e privacidade

O navegador é literalmente o seu meio de locomoção para trafegar pela internet, e como tal, você deve controlar exatamente onde irá, o que e como irá ver, e quais dados deseja compartilhar.

Delegar a custódia desse poder a gigantes corporações pode ter resultados terríveis para a nossa privacidade, transformando nosso contato mais importante e direto com a internet em uma verdadeira máquina de coleta de dados, que foram então usados por anos para nos vender o que nunca precisamos e direcionar nosso comportamento social e político.

A retomada da web de volta para nós começa no uso de um navegador seguro, que respeite sua privacidade, que não lhe siga e nem colete seus dados.

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Firefox (baixe aqui)

Firefox é realmente um dinossauro da internet, como o logo da fundação que o desenvolve muito bem reflete, e carrega um legado de mais de 20 anos, desde o Netscape, passando por Mozilla, Phoenix e Firebird (lançado em 2003, primeiro ano em que eu comecei a usá-lo). Entre altas e baixas, estabeleceu-se como um navegador potente, seguro, e que, acima de tudo, respeita seus usuários. Possuí uma vasta lista de extensões, que vão desde ferramentas de produtividade até recursos para aumentar sua privacidade, bloqueia rastreamento por padrão (incluindo determinados anúncios) e traz uma gama de opções de fábrica para incrementar sua usabilidade e segurança.

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Brave (baixe aqui)

Um navegador com foco em segurança e privacidade, baseado no Chromium (versão de código aberto do Chrome [compatível com todas as suas extensões]), e concebido pelo criador da linguagem de programação JavaScript e co-fundador da Mozilla (a fundação/empresa responsável pelo Firefox). Bloqueia automaticamente todos os anúncios, e traz ideias interessantes, como janela exclusiva de roteamento tor e sincronização de favoritos, históricos e senhas criptografados utilizando um backup heurístico determinista na nuvem.

* Embora não necessárias caso utilize os navegadores acima citados, recomendo as seguintes extensões para ampliar sua proteção:

uBlock Origin (baixe aqui);

Privacy Badger (baixe aqui).

  • Não use navegadores que não permitam nativamente a opção de bloquear anúncios e rastreadores (provavelmente todos os outros não citados aqui);
  • Não instale qualquer extensão em seu navegador (elas podem deixar rastros e diminuir a sua segurança);

6) Use serviços de email seguros e criptografados

Se a metáfora dos navegadores como os principais meios de locomoção da internet caiu bem, faz sentido dizer que uma conta de email é a sua principal credencial para liberar acesso aos inúmeros portos dessa rede oceânica. Além disso, como o próprio nome bem explicita, ele serve como a sua caixa postal para receber e enviar mensagens e dados.

Os protocolos livres e abertos que compõem o email (SMTP, IMAP, POP3, etc) são fundamentais para o sustentamento estrutural da internet, e criaram a maior, mais descentralizada e diversa rede de comunicação que conhecemos, onde qualquer um pode se juntar e comunicar-se com qualquer outro ponto, sem necessidade de permissões ou restrições.

Então por que todo mundo odeia emails?

Fato é que a crescente má reputação do email nos últimos anos é resultado direto de serviços inseguros e/ou de péssima qualidade oferecido por provedores que possuem acesso livre a todo o conteúdo de suas mensagens. Difícil imaginar um outro caso tão embaraçoso e reprovável quanto o de empresas que utilizaram por anos a coleta direta de dados em emails para não só personalizar anúncios como vendê-los diretamente em sua caixa de entrada.

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ProtonMail (baixe aqui)

Um provedor de serviço de email com sede na Suíça e idealizado por um grupo de cientistas que se conheceram equantanto trabalhavam no CERN (o berço da internet e famoso por seus colisores de partículas), prezam-se principalmente por respeito à privacidade de seus usuários (que já somam-se em mais de 50 milhões).

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Tutanota (baixe aqui)

Baseado na Alemanha, oferecem email criptografado e com aplicativos livres e de código aberto para todos os dispositivos. Possui um plano inicial gratuito generoso de 1GB.

  • Não utilize email de grandes portais e conglomerados;
  • Não utilize email fornecido por sua operadora de telefonia.

7) Serviços de VPN podem ajudar a ofuscar seus acessos

VPN nada mais é do que proxy de luxo, ou seja, um serviço que irá intermediar sua conexão com a de outros computadores através de uma rede privada, e cobrando por isso um valor nem sempre irrisório. No quesito privacidade, ele é útil para fazer com que o seu provedor de internet (ISP) não espie os sites e serviços que esteja utilizando, e de forma reversa, esconder destes a verdadeira origem de sua conexão.

Delegar todo o seu acesso à internet a um único ente requer uma boa dose de confiança, que pode ser dirimida com o uso de software de código aberto, que por sua vez irá expor e tornar verificável o comprometimento da empresa fornecedora deste serviço. Em muitos casos, seu ISP pode ser mais confiável e ter mais respeito à sua privacidade do que vários VPNs populares.

Os dois exemplos abaixo utilizam exclusivamente código livre e aberto, não registram logs de uso, não exigem nem guardam quaisquer dados de clientes (ambos utilizam um código aleatório para que você controle sua conta) e são baseados na última tecnologia de VPN (WireGuard).

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IVPN (baixe aqui)

Com sede em Gibraltar, está desde 2009 no mercado e trabalha exclusivamente com servidores próprios em diversos países (2 no Japão).

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Mullvad (baixe aqui)

Fundada também em 2009, com sede na Suécia, possui um misto de servidores próprios e alugados em todo o mundo (18 no Japão).

  • Não utilize VPNs gratuitos (raramente possuem requisitos mínimos de privacidade e segurança e podem servir para monitorar sua atividade);
  • Não é recomendado o uso de VPNs acoplados a serviços como navegadores ou aplicativos;

8) Pesquise na web de forma livre e privada

Seu histórico de pesquisa é de longe o maior ativo que empresas de publicidade e rastreamento desejam. Lá estão boa parte dos dados sobre seus hábitos e comportamentos, que irão compôr sua “persona”, segmentada e catalogada como um produto, junto com as de outros tantos bilhões de pessoas ao redor do mundo.

Pesquisar algo é muitas vezes o passo inicial que se dá para adentrar a imensidão da internet, e para tanto precisa ser um ato livre, anônimo, não rastreado, sem vieses comerciais ou políticos. É importantíssimo que tais poderes não sejam controlados pela big tech (do inglês, para “grandes corporações de tecnologia”).

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DuckDuckGo (baixe aqui)

Esqueça a concorrência, DuckDuckGo já é o melhor serviço de pesquisas na internet já criado. Um híbrido, na verdade, pois agrega resultados de seu próprio crawler (o robô encarregado de varrer a internet) com inúmeros APIs de diversos sites populares, tudo isso respeitando a privacidade de seus usuários.

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Startpage (baixe aqui)

Este serviço utiliza os resultados do Google Search, de forma anônima e removendo rastreadores e anúncios personalizados, e é a melhor alternativa caso não encontre o que procura em buscadores alternativos.

  • Não pesquise em sites de busca com login ativado (o que irá impedir que se crie um histórico associado a você);
  • Não faça pesquisa por voz em assistentes pessoais (que são basicamente extensões para mecanismos de busca).

9) Utilize um sistema operacional livre e de código aberto

Eu sei, você já usa o sistema operacional (OS, do inglês operating system) do seu computador há anos, para não dizer décadas, e deve estar plenamente adaptado e acostumado com o do seu celular. Este é um passo difícil de se tomar, mas muito do que sugerimos até agora torna-se irrelevante caso a própria base de tudo o que você faz esteja comprometida.

Como um aperitivo, estão só algumas das façanhas que o seu OS pode fazer:

  • Coletar automaticamente dados como histórico de navegadores, configurações de aplicativos, redes wi-fi, entre outros metadados;
  • Abrir um backdoor (acesso a um ente externo) para fazer escaneamento de suas imagens e arquivos;
  • Capturar através de assistentes pessoais de inteligência artificial suas pesquisas (via teclado ou voz), datas do seu calendário, músicas tocadas, compras realizadas e cartões de crédito;
  • Monitorar todos os aplicativos que você instalar (utilizando a premissa de estar protegendo-lhe);
  • Associar à sua identidade documentos, localizações, dados demográficos e contatos;
  • Compartilhar tudo isso com terceiros, de forma automática e impossível de se desligar, com o consentimento que você já deu ao utilizar o OS.

Diante disso, o único sistema operacional recomendável que une código livre e aberto, privacidade, segurança e usabilidade é o Linux.

Em tese, Linux seria somente um kernel, um núcleo com funções operacionais básicas, que é então revestido de inúmeras camadas de softwares que irão compôr o sistema operacional em si. Lançado em 1991 por Linus Torvalds como um hobby, é hoje o OS mais importante do mundo. Está presente tanto no servidor deste site quanto na Estação Espacial Internacional (ISS).

Seu desenvolvimento é descentralizado, com milhares de distribuições existentes, das quais eu já utilizei dezenas, sendo a primeira “distro” em 2001, a extinta Mandrake, na versão 8.0 Freq. Não é fácil indicar somente uma, e recomendo que você teste várias antes de fixar sua escolha (é possível gravar e rodar uma distro direto de um pendrive). Já há algum tempo acabei me estabilizando com o Elementary OS, e é o que venho recomendando a todos:

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Elementary OS (baixe aqui)

Uma distribuição Linux gratuita com foco na facilidade de uso e com atenção especial para os detalhes visuais. Possui configurações simples e usabilidade intuitiva, além de segurança extra ao rodar e instalar programas (mais detalhes na seguinte seção).

* Android é um sistema operacional baseado em Linux para dispositivos móveis, possui código livre e aberto, alto padrão de segurança, e conta com um extenso controle de permissões para cada aplicativo. Confira nas próximas seções algumas dicas para o seu uso.

10) Fique de olho nos aplicativos que rodam em seus dispositivos

Muitos dos aplicativos mais populares para dispositivos móveis possuem pouquíssimo respeito à sua privacidade. E como se isso não bastasse, são diretamente usados para coletar seus dados e distribuí-los para propaganda política.

Para Linux, a central de aplicativos de qualquer distribuição já é recheada de aplicativos gratuitos, e caso haja suporte para software em modo sandbox (isolados do sistema operacional, como é o caso do Elementary OS), Flathub e Snapcraft são boas e confiáveis fontes. Alguns exemplos:

  • OnlyOffice (suíte para escritório, baixe aqui);
  • LibreOffice (suíte para escritório, baixe aqui);
  • Joplin (bloco de notas, baixe aqui, também disponível para Android);
  • Standard Notes (bloco de notas, baixe aqui, também disponível para Android);
  • Atom (editor de código, baixe aqui);
  • Gimp (editor de imagens, baixe aqui);

Para Android, o repositório alternativo de aplicativos F-Droid é a melhor recomendação. Com requisitos de registro bastante rígidos, aceitando somente software livre e de código aberto, possu inúmeros aplicativos para todo o tipo de atividade:

  • Aegis Authenticator (2fa, já citado acima);
  • AntennaPod (podcasts);
  • FairEmail (emails);
  • Feeder (leitor de feeds RSS);
  • KOReader (leitor de PDFs);
  • My Expenses (gerenciador de finança pessoal);
  • NewPipe (cliente alternativo para YouTube);
  • OpenTracks (monitor de atividades físicas);
  • Tasks.org (lista de afazeres);
  • Simple Voice Recorder (gravador de áudio);
  • Osmand (mapas e navegação via GPS).

Independentemente da plataforma, a recomendação inicial ainda continua, e não vou cansar de repetir: procure sempre por software livre e de código aberto.

One more thing…

Algumas mudanças independem do uso ou troca de aplicativos, e estão mais relacionadas a atitudes e comportamentos que você pode tomar quando utiliza seu computador, celular, tablet ou demais dispositivos:

  • Desative o GPS quando não for necessário (o que ajuda a economizar bateria);
  • Desative o Bluetooth enquanto não está sendo utilizado;
  • Desative conteúdo privado nas notificações (impedindo que qualquer um leia as mensagens que você recebe);
  • Desative assistentes pessoais de inteligência virtual;
  • Nunca conecte-se a redes públicas de wi-fi (caso seja extremamente necessário, faça isso usando um VPN);
  • Ao utilizar um VPN, ative as opções “always on” e “killswitch”, para impedir qualquer conexão fora da rede privada;
  • Não utilize acesso remoto ou compartilhamento de tela de modo algum;
  • Controle as permissões de cada aplicativo, retirando as que não fazem sentido;
  • Controle quais apps tem acesso e fazem backup em nuvem;
  • Mantenha as atualizações do sistema operacional e aplicativos em dia;
  • Desbloqueio por reconhecimento facial ou digital é uma mão na roda, mas também muito mais fácil de se burlar (considere usar PIN ou padrão);
  • No seu computador, utilize sempre uma senha ao invés de PIN;
  • Internet of things (ou IoT, “internet das coisas” em inglês) parece ser bem legal, mas não, sua televisão e outros aparelhos domésticos não precisam estar logados a uma conta associada a você;
  • Repense o uso de um smartwatch, já que sua real utilidade não costuma valer a pena pela quantidade de rastreamento que faz.

Apesar de extenso, este é um compilado introdutório à privacidade e segurança. O plano é entrar mais profundamente em detalhes com artigos individuais para cada item, a serem publicados futuramente.

Como você bem pode ter notado, também há um alto grau de contradição ao longo do texto, ao mesmo tempo recomendando e desaprovando produtos e serviços da mesma empresa. しょうがない, a internet parece amplificar os paradoxos da natureza.

Vale destacar que este site faz uso de Google Analytics (estatísticas de acesso), Cloudflare (gerenciador de DNS e CDN) e New Relic (monitoramento de servidor), que são considerados rastreadores.

E não custa frisar novamente, a pior medida de segurança é aquela que deixa você mesmo trancado para fora. Dê um passo de cada vez ao implementar cada dica, acostumando-se aos poucos com a nova realidade da sua internet, mais privada e segura, tal qual fora vislumbrada por seus criadores.

“O computador pode ser usado como uma ferramenta para liberar e proteger as pessoas, ao invés de controlá-las.”

Hal Finney

Fontes:

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