Ramen é muito bom, mas também pode ser perigoso

Ramen é muito bom, mas também pode ser perigoso

Parece existir uma relação direta, em certas partes do Japão, entre a prevalência de restaurantes de ramen e o número de mortes por derrame, apontam pesquisadores japoneses da Universidade de Medicina de Jichi, na província de Tochigi

Tomar uma tigela de ramen bem quente e temperada é uma das maneiras mais comuns com que os japoneses se aquecem até a alma, especialmente nos dias frio de inverno. No entanto, exagerar no consumo deste prato pode ser perigoso, alerta um jornal médico britânico.

Em um artigo publicado na BioMed Central em setembro, três pesquisadores japoneses da Faculdade de Medicina da Universidade de Jichi, na província de Tochigi, encontraram uma ligação direta, em certas partes do Japão, entre a prevalência de restaurantes de ramen e a taxa de mortalidade por derrame.

Indo a fundo nesta questão, o jornal Asahi Shimbun afirmou que as prefeituras de Tochigi, Akita, Aomori, Yamagata, Niigata e Kagoshima – todas famosas pelo grande número de restaurantes que servem o delicioso prato japonês – são de longe as mais afetadas.

O jornal também constatou que as famílias nessas regiões também têm maior probabilidade de usar mais sal, o que causa pressão alta.

Segundo uma pesquisa realizada pela Agência de Assuntos Gerais, a prefeitura de Yamagata consome mais sal do que qualquer outra parte do país.

Embora este relatório tenha o potencial de afetar o apreço dos japoneses pelo ramen, as mídias sociais foram inundadas com comentários de pessoas que pareciam mais propensas a negar este doloroso fato do que reduzir o consumo de ramen.

Vários fãs de ramen compartilharam suas angústias on-line – diarréia, indigestão e insônia, para citar alguns -, mas nenhum deles parecia disposto a diminuir o consumo. É como se achassem que, uma vez que chegaram até aqui sem ter problemas de saúde maiores, qual seria a chance de terem um derrame?

Há décadas que os japoneses sabem que o ramen em excesso não faz bem pra saúde.  Além de ser rico em glúten e açúcar, seu caldo normalmente inclui uma boa dose de glutamato monossódico e gordura saturada. Essa é uma combinação perigosa, não apenas para os órgãos internos, mas também para o cérebro. Seu consumo regular tem sido associado a demência.

O motivo desta resistência pode estar na História. Antes da Segunda Guerra Mundial, o ramen era chamado de shinasoba (macarrão chinês) e não era tão onipresente como é hoje.

Contudo, na década de 1950 o número de pessoas que vendiam ramen aumentou em todo o Japão, enquanto o país lutava para se recuperar da desnutrição durante a Ocupação.

Na época, o ramen era uma solução rápida para matar a fome. Era fácil de fazer e consumir, e todo o processo não levava mais do que 10 minutos.

Em 1958, Momofuku Ando apresentou o primeiro macarrão instantâneo instantâneo do mundo, uma refeição que alimentou o rápido crescimento econômico do Japão nas décadas de 1960 e 1970.  Depois que a empresa de Ando, ​​a Nissin Foods Inc., lançou o Cup Noodle (macarrão e sopa desidratados em um copo descartável), os baldinhos de isopor começaram a percorrer o mundo. A história da vida de Ando foi transformada em uma série da NHK chamada Manpuku, que foi ao ar em 2018 e foi extremamente popular entre os fãs de ramen.

As últimas notícias sobre a ramen, no entanto, não são boas. Muitos blogueiros estão relatando que alguns de seus restaurantes de ramen favoritos estão sendo fechados porque os proprietários e funcionários estão sofrendo problemas de saúde.

Fazer e servir ramen é um trabalho árduo.  Os donos dos restaurantes costumam trabalhar 12 horas por dia e alguns afirmam que, se a longa jornada de trabalho não afeta a sua saúde, a natureza deste trabalho intenso da fabricação do macarrão o fará.

E o pior é que respirar a fumaça do estoque de carne e peixe por longos períodos de tempo pode desencadear o surgimento de células cancerígenas e induzir um derrame.

Em entrevista ao Asahi Shimbun, o professor Tomonori Okamura, da Universidade Keio, aconselha os restaurantes de ramen a reduzir o uso de açúcar e sal, enquanto recomenda que os consumidores completem seus pratos com brotos de feijão e outros vegetais.

Aparentemente, a solução para esta questão é simples. Basta encontrar o equilíbrio certo entre um sabor delicioso e uma nutrição adequada.