Japão relata mais de 600 novos casos de vírus e cresce o medo de uma segunda onda

Japão relata mais de 600 novos casos de vírus e cresce o medo de uma segunda onda

Os 622 casos registrados, elevaram a contagem nacional para cerca de 23.600, excluindo os cerca de 700 do Diamond Princess. O total de registros em Tóquio subiu para 8640

Mais de 600 novas infecções por coronavírus foram relatadas em todo o Japão na quinta-feira, a mais alta em três meses, já que Tóquio sozinha registrou 286 casos em um único dia, acrescentando evidências de que o país está enfrentando um ressurgimento do vírus, após a suspensão do Estado de Emergência em maio.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, disse que o forte aumento nos casos confirmados na capital ocorre quando mais testes são realizados, agora mais de 4 mil por dia. “Nós responderemos adequadamente para reduzir o número de pessoas infectadas”, disse ela a repórteres.

Três províncias em torno de Tóquio – Chiba, Kanagawa e Saitama – e também a províncias de Osaka, tiveram seu maior número de casos diários desde que o fim do Estado de Emergência, no dia 25 de maio.

Osaka relatou 66 infecções, seguidas por 49 em Saitama, 48 em Kanagawa e 32 em Chiba.

E os planos para incentivar o turismo nacional, continuam

Mesmo com o ressurgimento de infecções agora óbvio, o plano do governo central de iniciar sua campanha de subsídios Go To Travel este mês, para impulsionar o turismo doméstico, está em risco de não ocorrer.

Koike e muitos outros chefes de províncias e de governos locais disseram estar preocupados com o fato de o programa acabar espalhando o vírus e sobrecarregando os sistemas médicos regionais.

O Ministro do Turismo, Kazuyoshi Akaba, disse a repórteres que o governo começará o programa na próxima semana, conforme planejado, excluindo Tóquio.

A resposta do governo em relação à declaração de um novo Estado de Emergência

Yasutoshi Nishimura, Ministro encarregado de formular as medidas do país contra a pandemia, disse: “Estamos preocupados com o aumento gradual no número de pessoas de meia-idade em Tóquio que foram, recentemente, confirmadas com o vírus”.

O governo “acompanhará de perto” os acontecimentos ao decidir se declarará novamente o Estado de Emergência, disse ele.

Shigeru Omi, presidente de um comitê consultivo do governo para o COVID-19, disse em uma entrevista coletiva que a situação atual “não é uma disseminação explosiva de infecções” e que parece ser plana ou um aumento moderado.

Na quarta-feira, o governo metropolitano de Tóquio elevou seu alerta para o nível mais alto dos quatro existentes, o que significa “infecções estão se espalhando”, instou os moradores a evitar viagens não essenciais a outras províncias, a não visitar casas noturnas ou jantar fora, em estabelecimentos que não adotem as medidas para prevenir infecções.

A decisão foi baseada em seus próprios critérios para medir a gravidade da pandemia, incluindo o número de novos pacientes nos hospitais e a proporção de rotas de infecção não rastreáveis.

Os casos se espalham, mesmo para quem não frequenta a vida noturna

Diferentemente das últimas semanas, os novos casos dos últimos dias não se concentram mais nos jovens que trabalham ou visitam distritos de vida noturna. Houve relatos de infecções em escolas maternais e centros de assistência a idosos, indicando que o vírus está se espalhando para outras faixas etárias.

Também foi revelado que cerca de 850 pessoas tiveram contato próximo em um teatro no movimentado distrito comercial de Shinjuku, em Tóquio, com pacientes suspeitos que testaram positivo para o vírus.

Relatos dos moradores

Os habitantes de Tóquio e os viajantes de Tóquio manifestaram preocupação com o ressurgimento, mas pareciam amplamente resignados com a situação.

“Será difícil se nossas atividades forem restritas (por outro Estado de declaração de Emergência)”, disse Akiko Takeda, de 69 anos, quando visitou o aquário do Sea Life Park em Tóquio. “É importante que as pessoas pensem que devemos nos proteger sozinhos”, disse ela.

Uma mulher de 35 anos que também vive em Tóquio disse que não tinha escolha a não ser ir ao trabalho. “Eu viajo todos os dias agora. Estou ocupada no trabalho, por isso é impossível voltar a trabalhar em casa, mesmo após o aumento do nível de alerta”, disse ela.

Um homem de 56 anos que viaja para Tóquio em um trem-bala de Utsunomiya, na província de Tochigi, cerca de duas vezes por semana e faz home office em outros dias, disse que também não acha que mudará seu atual estilo de trabalho. “O trem não está lotado e não me preocupo com o modo como as pessoas na minha cidade natal me percebem, mas minha esposa parece estar preocupada comigo”, disse ele.